Entrevista: Digo Policiano

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Com canções verdadeiras que conectam o ouvinte a emoção que cada palavra dita quer transmitir, o cantor e compositor Digo Policiano lançou no ano passado o elogiado EP, Fui Voar. Um compacto com uma sonoridade pop, que flerta com folk e a nova MPB.

Mesmo sendo o segundo trabalho, em 2011 o músico lançou o álbum Volta ao Mundo, Policiano considera Fui Voar como a sua estreia oficial no cenário musical. “Eu tive o apoio e a companhia de um produtor, que foi o Sergio Soffiatti, que deu mais vazão aquilo que eu queria dizer”, revelou.

Apesar ter passado uma temporada na África do Sul e na Califórnia, e vivido entre São Paulo e Paraná,  o cantor busca manter as suas origens interioranas, seja em suas músicas, que versam sobre o cotidiano e experiências próprias, assim como nos clipes.

O cantor entra em turnê depois do carnaval e já prepara um novo trabalho, previsto para Agosto. As novidades, as canções, entre outros assuntos foram pautas de uma conversa que tivemos com o músico. Confira a entrevista!

O gosto pela música despertou quando você morava nos Estados Unidos ou você já fazia música no Brasil?

Já fazia no Brasil. Desde novinho sempre gostei de música, mas eu comecei a tocar violão com 14 anos, quando meu irmão decidiu fazer aula e trouxe os instrumentos para casa. Ai eu comecei a ver e querer ficar perto, querer brincar com o violão. Depois daquilo só intensificou. As viagens foram importantes, nos Estados Unidos, uma delas, foi onde tive perto especificamente do instrumento, eu e ele. De começar a compor, foi um negócio mais forte. Foi ali que eu tive algumas certezas sobre música.

Isso teve relação com o trio TwoHats?

Esse trio na verdade foi com duas pessoas que trabalhavam comigo lá, pois eu fui a trabalho, na época que eu fazia Administração de Empresas. Um era do escritório e outro era um zelador do lugar que a gente trabalhava. E era um cara bastante caricato americano, folk, um Bob Dylan da vida. A gente se reunia e tocava, fizemos algumas apresentações, mas não foi nada profissional. Foi uma questão que me abriu os olhos para parcerias, para uma música mais puxada para o country, do bluegrass, que no Brasil tem uma relação com a música regional, de certa forma.

O título do primeiro disco,Volta ao Mundo, remete a essas experiências internacionais (EUA e Africa) ou foi coincidência? Como foi essa estreia?

Eu tive nos Estados Unidos em dezembro de 2010 a março de 2011 e o disco foi lançado no final do ano. Lançado entre aspas, não foi um lançamento oficial. Foi um disco que eu fiz, disponibilizei, eu mesmo produzi e gravei, mas na época nem tinha pretensões de fazer aquilo de um disco de música que chegasse às pessoas. Não tinha certeza se eu queria musicar ou ser um compositor, alguém que fizesse um trabalho musical para dividir com os outros. Mas acabou que hoje eu gosto bastante daquele disco e acho que ele ainda pode ser ouvido.

O álbum tem um tom minimalista e o novo trabalho, o EP Fui Voar, traz uma outra pegada. Pode falar dessa diferença?

A diferença principal se resume na verdade em duas. Primeiro a intenção, quando eu fiz o Volta ao Mundo, eu quis mostrar um pouco dos meus anseios, do que eu queria falar em termos de composição e deixar registrado que o ano de 2011 foi muito belo pra mim. Foi quando eu comecei a compor e ele também não tinha pretensões profissionais. Já o EP veio com uma outra cara, porque a intenção já era outra, onde eu queria fazer uma música que eu pudesse dividir com as pessoas e mostrar que eu estava começando um trabalho musical. Além disso, também teve a questão da minúcia da gravação que foi diferente. Eu tive o apoio e a companhia de um produtor, que foi o Sergio Soffiatti, que deu mais vazão aquilo que eu queria dizer de uma forma completa em termos musicais e principalmente ter gravado de uma forma profissional.

As letras do novo trabalho trazem mensagens positivas de amor, felicidade e liberdade. As composições são experiências próprias?

As vezes eu falo que componho inspirado numa filosofia do cotidiano, não sei se isso é uma questão muito pessoal do jeito que eu observo a vida, que eu recebo as coisas que acontecem comigo, mas esse disco é mais ou menos isso. É  um convite para que as pessoas  se libertem de algumas amarras, tanto frente aos amores ou frente a um sonho ou profissão que não é seguido, para que as pessoas que ouvirem possam ser felizes no intimo mesmo. Por isso o nome do disco Fui Voar, acaba sendo por vezes autobiográfico de coisas que eu vivo, mas também do jeito que eu acho que poderia contribuir para que as pessoas pudessem ouvir e serem tocadas por aquele motivo.

Você considera o EP como a sua estréia oficial no cenário musical, apesar de ter lançado anteriormente um disco. A opção por fazer um compacto tem algum motivo?

Tem alguns. Um por ter sido o inicio e era mais fácil em todos os sentidos. Eu não tinha experiência de estúdio, não sabia como as pessoas iam aceitar isso também e não tinha clareza de todo o conteúdo que eu queria passar. Além da questão de economia, porque é mais fácil pra gente que começa fazer  um pequeno. Eu parti do principio que eu pudesse fazer um trabalho e amplifica-lo, de poder fazer um clipe, de fazer as live sessions. Então preferi esse outro lado, mas aconteceu que a receptividade foi boa tanto do público como da mídia em geral e minha também. Eu gostei muito desse processo todo e aí eu comecei a me envolver em outras composições. até  estou em processo de produção do disco novo.

Pode adiantar alguma coisa desse álbum novo?

Provavelmente será lançado em agosto e deve ter umas 12 músicas, incluindo as do EP. É uma evolução do Fui Voar, com o motivo e o lirismo também. É como se nessa decisão de voar, eu lá de cima tivesse visto algumas histórias. Então é muito provável que esse disco conte desse caminhar, com um pouco mais de sons, amores, relacionamentos estendidos, não só de homem e mulher, mas de famílias e amigos. Vai ser uma visão mais de cima, não vai ser mensagem com no Fui Voar, vai ser mais história contada.

Como você mencionou, além dos clipes, você gravou a serie Live Sessions de todas as músicas do EP, incluindo alguns covers. Poderia falar um pouco do projeto? 

Os vídeos que eu tinha no meu canal do Youtube eram muito antigos  e ai eu queria dar algo novo também já que tivesse as músicas do EP, mas um pouco mais acústica e próximo também  da maneira que eu componho , da maneira que ela nasce. Achei importante reunir isso, de poder representar  umas imagens, inclusive de cenário mesmo . Esse cenário que eu escolhi para fazer o  live session no dia que eu cheguei lá, não estava muito  certo de que ia fazer não, mas na hora que eu vi o lugar falei que era aqui que eu queria fazer um registro. Era um lugar bastante bonito, pegamos um local afastado, meio que abandonado , um ar de derrubadão e ao mesmo tempo  um ar que eu queria passar também que era de interior, de algo mais próximo de onde eu vim.  Sou do interior de São Paulo, vulgo caipira, como as pessoas chamam.

Você acabou de lançar o vídeo de “Primeiro Trem”, depois do sucesso do vídeo de “Amigo Sentidor, que figurou em várias listas dos melhores de 2014. Como foi a produção? Qual foi o conceito por trás do novo registro?

Foram clipes muito próximos da minha realidade, não tem muito segredo. O clipe novo nasceu do desejo de  tentar representar o “Primeiro Trem”  de uma maneira um pouco poética e lúdica, mas que tivesse o que a canção tem, que é esse pedido  que as pessoas se libertem , sejam felizes, vivam os seus sonhos e que embarquem nesse primeiro trem. Eu não queria representar uma viagem de alguém no trem, não queria algo literal. Então a gente partiu do conceito de mostrar uma transformação do individuo, colocamos o ator passando por aquelas transformações e com um final libertador ao extremo. Quis também que fosse um conceito de cinema, como se fosse um curta. Eu não queria ficar fazendo aquela quebra que os artistas fazem de mostrar uma história e mostrar eles tocando, justamente por isso que  as live sessions estão ali, para que eu pudesse fazer a parte do tocar e não confundir com a história do clipe, quis dar essa distinção.

O recém lançado clipe marca o encerramento do EP. Quais os próximos passos?

Eu imaginei o que seria a abertura e o fechamento do EP, mas não sabia que ia fazer o disco novo. O álbum eu decidi há dois meses atrás, justamente pelas composições. Desde esse tempo estou em processo de pré-produção e repertório, o estúdio vai ser consequência. Além disso, tem a turnê que irei fazer nos próximos meses por São Paulo, Rio e Curitiba. A intenção é dar uma divulgada no Fui Voar. Esse show que estou fazendo é uma versão acústica de dois violões, onde faço as músicas do EP, uma do Volta do Mundo, três covers de Paulinho Moska, Nei Lisboa e Coldplay, o resto são todas de inéditas. Então já estou mostrando para as pessoas as novas canções.

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