Entrevista: Bruno Capinan

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Apesar de ter nascido na Bahia e morar no Canadá, o cantor e compositor Bruno Capinan tem uma forte ligação com o Rio de Janeiro. A cidade serviu de inspiração para uma de suas canções e foi no Rio que o músico gravou parte do seu segundo disco, Tudo está dito (selo Maravilha8).

Atração principal do Levada desse fim de semana, 22 e 23 de maio, Capinan volta ao Rio para apresentar pela primeira vez ao público carioca o seu novo trabalho. No show, que acontece no Oi Futuro Ipanema, ás 21h, o cantor contará com a companhia de uma banda formada por músicos talentosos como Bem Gil, Domenico Lancellotti e Bruno di Lullo, além da participação especial de ‘Mãeana‘ e o Gabriel Muzak.

Inédito e autoral, o disco partiu de um repertório de mais de 100 canções escritas por Capinan e tem a produção de Luisão Pereira, do duo Dois em Um.  Tudo está dito conta também com a colaboração de Mallu Magalhães nos vocais da faixa “Sambolento” e no projeto gráfico do álbum, as ilustrações em aquarela são todas da cantora.

Bruno Capinan nos contou um pouco mais sobre Tudo está dito, a expectativa para os dois shows no Rio, além de ter feito uma análise de cada uma das dez faixas do seu segundo trabalho. Confira!

A apresentação no Levada marca o lançamento oficial do seu segundo disco. Qual é a sua expectativa para o show e para a recepção do público do Rio de Janeiro, que vai escutá-lo pela primeira vez ao vivo? Vai rolar alguma participação especial?

Minha expectativa é de fazer um show marcante, que toque o público, faço música pra isso. Por ser a primeira vez que me apresento no Rio e com essa banda da pesada (Bem Gil, Domenico Lancellotti e Bruno di Lullo) tem uma conquista nisso tudo. Tocar ao lado de amigos e músicos que tanto amo é uma graça divina. Chamei dois convidados que também amo muito que são a ‘Mãeana’ e o Gabriel Muzak.

Você é baiano, mora em Toronto e gravou o disco no Rio. O disco traz alguma conexão, influência dessas três cidades?

Na verdade, gravamos em Salvador, Rio, Lisboa e Toronto. E mixamos em Fortaleza. Como o Luisão Pereira produziu, e eu estava sempre viajando, foi um processo que me ensinou algo que nunca imaginei ser possível, que é o desapegar do processo, o tempo da coisa. Viver entre dois países e viajar por tantas cidades é bacana, e isso me faz estar bem estando em mim, não importa onde.

O álbum partiu de um repertório de mais de 100 canções escritas por você. Como foi o processo de escolha das 10 faixas que entraram no disco? Pode falar um pouco sobre cada uma delas?

Foi super fácil, porque eu tive o Luisão, e porque eu já tinha uma história na cabeça, um fio condutor. ‘Eu não’ faixa que abri o disco fala da melancolia que saiu e ao voltar pra casa não encontrou o coração aberto pra se alojar. ‘De Manhã’ eu fiz em homenagem ao poeta Waly Salomão da terra do sol. ‘Sambolento’ fiz pensando em ‘Pelo Telefone’ do Donga e pra cantar com a Mallu. ‘Gang Bang Mangueira’ escrevi depois de um papo erótico-musical no facebook que não deu em nada, que ninguém deu. ‘Vá’ é um samba feito para alguém que eu muito amei, mas que devolvi a solidão. ‘Cio’ é uma síntese do disco, eu pela rua, vulnerável, um animal com os instintos aguçados. ‘Ave mãe’ é a única parceria do disco, minha com o Luisão Pereira, escrevi a letra sob a melodia dele, e fala da vida como eu ainda a vejo, que é preciso se lançar das nuvens em busca do desconhecido, que não se perde tudo quando o todo já a mostra. ‘Outra Onda’ fiz pro Rio. Eu amo essa cidade como nenhuma outra, e comecei a escrever os primeiros versos caminhando por Copacabana. ‘Noite’ é a minha melhor letra, me orgulho dela, e me transporta pra Bahia, para o ilê, e dialoga com os meus medos, mas com um sorriso a Oxalá que ainda em mim prevalece. ‘Os pássaros são nada fiéis’ eu escrevi em Toronto andando no frio, ela é um chorinho, meio acalanto.

E o título “Tudo está dito”? De onde veio e para onde vai?

O título partiu de muitas conversas que tive com a Mallu sobre o título. Até que certo dia a gente conversando pelo Skype, ela em Lisboa e eu em Toronto, e eu disse que tudo está dito no sentido material do processo, voltando ao lance do desapego, a vida é, e o tempo não vai parar pra canção ser refeita. A canção nasce de um lugar sagrado, mas quando você permite que outras pessoas escutem aquilo que antes só você entendia, aí está tudo realmente dito, é o que foi naquele momento, uma fotografia.

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