15 Melhores Discos da Música Potiguar 2016

3873
0
COMPARTILHAR:

Nunca imaginei que fosse tão difícil preparar uma lista de melhores do ano. O bom é que a dificuldade maior foi pela grande quantidade de boas produções que a terra de Cascudo nos presenteou. Do punk rock, passando pelos sons cosmopolitas até a música indiana, a música potiguar tem para todos os gostos, mostrando um altíssimo nível de qualidade, não deixando a desejar em nada ao som produzido nas grandes metrópoles do país, e derrubando por terra a ladainha saudosista de que não se faz música boa hoje em dia.

Antes de ir para a lista em si, gostaria de esclarecer algumas coisas de antemão. Primeiramente (#ForaTemer), já vou adiantando que essa é uma lista pessoal e por isso, discordâncias são naturais. Em segundo lugar, cataloguei quase 30 discos lançados no RN ao longo de 2016. Foram tantos que o Top 10 da ideia inicial acabou se transformando em Top15, por não querer deixar de dar destaque a tantos discos bons. Mesmo assim, é muito provável que algum disco não tenha chegado ao meu conhecimento e eu já peço desculpas, pois fiz o melhor que eu pude. No mais, acho que é isso. Vamos ao melhores do ano:

15 – Punk José (Joseph Little Drop)

15-punk-jose

Disco de estreia da banda Joseph Little Drop, uma das grandes revelações de 2016, Punk José é a perfeita tradução do que é essa banda em cima de um palco. Trazendo toda a irreverência que lhe é peculiar, com letras escrachadas e um som sujo e agressivo, como o verdadeiro punk deve ser, Punk José em alguns momentos nos faz lembrar quele Raimundos que conquistou o Brasil no início dos anos 90 e é justamente por essa sonzeira descompromissada, onde o único intuito é se divertir, que eles abrem a nossa lista na décima quinta posição.


14 – Caindo e Levantando (Daniel GetUP)

14-caindo-e-levantando

Temos observado nos últimos tempos um crescimento significante na cena do rap potiguar e Daniel GetUP foi uma das grandes revelações do estilo este ano. Fugindo do convencional, Daniel GetUP nos apresentou um rap acompanhado por banda e com letras que não falam apenas de problemas sociais, mas abordam também temas como amor e o cotidiano. Gostoso de se ouvir, Caindo e Levantando fica com nosso fica com nosso décimo quarto lugar.


13 – Ghost Town (Five Minutes To Go)

13-ghost-town

Resumidamente, o Five Minutes To Go é a desculpa que alguns integrantes do Camarones Orquestra Guitarrística encontraram para fazer um som e poderem cantar também. Contendo exatamente 12 minutos e 36 segundo de porrada, Ghost Town é tão rápido que quando você se recuperar do nocaute, o disco já terá acabado. Sob o comando de Kaká Monteiro, Ghost Town mostra que punk rock também pode ser bem tocado. Essa é mais uma das produções com o selo DoSol de qualidade e fica aqui com o nosso décimo terceiro lugar.


12 – Atmadas (Atmadas)

12-atmadas

Depois de duas bandas punks, hora de todo mundo ficar em estado de meditação para alcançar o nirvana, ao som do Atmadas. Cooperativa musical que envolve diversos músicos veteranos da cena musical potiguar como Carlos Zens, Dudu Campos e John Fidja, além de Alexandre Atmarana, Cássio Luiz, João Paulo e Nitaychand, o grupo lançou seu primeiro disco homônimo, trazendo músicas com influência nordestina, clássica, indiana, africana, celta, entre outras tantas. Uma maravilha dessa não poderia ficar de fora e por isso, deixamos aqui o nosso registro.


11 – Arrojo (Seu Ninguém)

11-arrojo

Único EP da lista, suas quatro músicas foram suficientes para a banda Seu Ninguém fazer sua estreia fonográfica e mostrar que a banda tem potencial para alçar voo maiores. Trazendo um pop/rock de qualidade, casando melodias marcantes com letras para se cantar junto, Arrojo é daqueles discos de se ouvir do início ao fim e ao terminar, ficar com o gostinho de quero mais, esperando que o álbum completo não tarde a chegar.


10 – Sufocante (Luiz Gadelha e os Suculentos)

10-sufocante

Velho conhecido do público, Luiz Gadelha nos presenteou em 2016 com Sufocante. Pop e dançante, o álbum traz nove canções que dão mais uma mostra do grande compositor que Luiz Gadelha é. Com a participação especial de Natália Noronha, da banda Plutão Já Foi Planeta, Sufocante tem de quebra, aquela que pra mim é a melhor capa de 2016, ficando com o nosso décimo lugar.


9 – Gold Trash Latino (Pheel Balliana)

09-gold-trash-latino

Vou confessor que eu tentei classificar a sonoridade do Pheel Balliana e desisti. Só sei que é bom demais. Gold Trash Latino traz um mistura tão grande de sons que é realmente difícil até pra descrever. Aconselho todos vocês a ouvir e tirar suas próprias conclusões e então, poderão entender o porquê desse disco estar aqui entre os melhores lançamentos da música potiguar, em 2016.


8 – Life is Movement (Born To Freedom)

08-live-is-movement

Melhor lançamento do rock potiguar em 2016, Life is Movement, disco de estréia do Born To Freedom é daqueles que você escuta do início ao fim e nem se dá conta. Com composições e melodias marcantes e muito bem arranjado, o disco conta com a participação especial do Rodrigo Lima, vocalista da banda Dead Fish. Um verdadeiro presente para todos os fãs de hardcore melódico, e até para os, como eu, não tão fãs assim.


7 – Não Deixe Pra Amanhã o que Pode Deixar Pra Lá (Khrystal)

khrystal

Quando Khrystal anuncia um novo disco, já podemos saber de antemão que encontraremos nele uma reunião de grandes músicos, arranjos super elaborados, ótimas composições e uma sonoridade cosmopolita, trazendo todo o universo musical da cantora. É exatamente isso que temos em Não Deixe Pra Amanhã o que Pode Deixar Pra Lá (melhor nome de disco). Brasileiro ao extremo, este disco traz uma música que ao mesmo tempo que tem raízes no local, dialoga com todo e qualquer lugar do mundo, onde a sanfona e a guitarra conversam entre si, como dois compadres sentados num alpendre num fim de tarde. Merece o nosso sétimo lugar.


6 – Impossível Só (Fettutines)

06-impossivel-so

Reunindo Anderson Foca (Camarones Orquestra Guitarrística, Five Minutes To Go, The Sinks) e Luiz Gadelha (Luiz Gadelha e os Suculentos, Talma & Gadelha), Impossível Só é uma coletânea de canções de amor. Unindo guitarras e batidas eletrônicas, o Fettuines traz um som muito agradável de se ouvir e uma mensagem em suas letras que é cada vez mais necessária em tempos tão caóticos como os atuais: se o amor chegou, deixe-o ficar, certamente vai revolucionar.


5 – Viva e Deixe Viver (Preto Bronx)

05-viva-e-deixe-viver

Primeiro disco solo do rapper Preto Bronx, Viva e Deixe Viver é praticamente um disco de participações especiais, com presenças ilustres como Júlio Lima, Jubileu Filho, Chico Bethoven e o Duo Finlândia. Unindo o rap à ritmos pouco trabalhados pelo estilo, Preto Bronx vai da salsa à música clássica, quebrando barreiras e preconceitos, ainda existentes para com a música periférica. Pela ousadia, experimentalismo e qualidade, Viva e Deixe Viver fica com nosso quinto lugar.


4 – Mirá (Valéria Oliveira)

valeria-oliveira

Após um maravilhoso disco em homenagem a Clara Nunes, Valéria Oliveira lançou este ano Mirá. Composto majoritariamente por sambas, estilo característico da cantora, Mirá também traz bolero, brega e uma homenagem a cultura potiguar. Não vou ficar aqui me alongando em falar da qualidade do trabalho da Valéria, pois isso já é de conhecimento de todos. Todos esses elementos fazem de Mirá, o disco a ocupar nosso quarto lugar entre os melhores da música potiguar, de 2016.


3 – Executivo do Pandeiro (Sami Tarik)

03-executivo-do-pandeiro

Inaugurando nosso pódio, temos o multi instrumentista Sami Tarik em seu primeiro disco solo, Executivo do Pandeiro. Reunindo canções de sua autoria e em parceria com outros amigos compositores, este álbum vai do samba à música árabe. Ousado e experimental, mas ao mesmo tempo, popular, Executivo do Pandeiro é uma síntese de toda a estrada musical percorrida por Sami ao longo de sua carreira como músico. Terceiro lugar, com recomendações deste que vos escreve aos leitores.


2 – Arrivals: Rabecas e Arribaçãs (Caio Padilha)

caio-padilha

Multi artista, Caio Padilha, lançou em 2016, aquele que é, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos musicais, envolvendo pesquisa dentro da cultura popular de tradição oral. Tendo a rabeca como protagonista, Arrivals é um espetáculo sonoro, unido música e poesia, trazendo lembranças de um Brasil adormecido, onde o tempo passa devagar, sem a loucura da cidade grande, onde é permitido parar e apreciar o canto dos pássaros e as crianças tomando banho no açude Gargalheiras. É por essa brasilidade que Arrivals: Rabecas e Arribaçãs levam nosso segundo lugar.


1 – Cobra Coral (Luisa & os Alquimistas)

01-cobra-coral

Essa é incontestável. Me corrijam se eu estiver errado, mas creio que Cobra Coral foi o primeiro disco lançado em 2016. Dia 6 de janeiro, para ser mais preciso. Uma prova de sua qualidade é ter conseguido ficar em evidência durante todos os 12 meses deste ano. Com uma mistura de ritmos, sons e idiomas, Cobra Coral é a alquimia consumada, trazendo uma latinidade, pouco aflorada em nós, filhos da colônia portuguesa das Américas. Mas numa cidade que tem fama de não consagrar nem desconsagrar ninguém, ver um disco de uma banda potiguar cair nas graças do público do RN, já é mais do que suficiente para provar que Cobra Coral não recebeu o primeiro lugar dessa lista à toda.

 

VIVA A MÚSICA POTIGUAR!!!

COMPARTILHAR:

Comentários no Facebook