A renovação do samba nos seus 100 anos

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O Dia Nacional do Samba, instituído em 2 de dezembro, em 2016 ganhou um colorido a mais. O gênero musical surgido a partir da mistura de estilos musicais de origem africana e brasileira completou 100 anos no último domingo, 27 de novembro. A data especial remete ao primeiro registro fonográfico brasileiro classificado como samba, o clássico “Pelo telefone”. A iniciativa foi de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, mais conhecido como Donga, que protocolou a partitura manuscrita para piano, feita por Pixinguinha,  na Biblioteca Nacional, em 1916.

Desde então o samba nos presenteou com belas canções e grandes compositores, intérpretes e músicos que embalaram e embalam diversos carnavais e momentos da nossa vida. Para celebrar este momento especial deste ritmo tão importante para a cultura popular brasileira, o Som do Som convidou 10 nomes da nova geração de sambistas de vários partes do país para nos indicar uma música e dizer de que forma este ritmo de raiz nacional entrou na vida de cada um deles e o que ele representa nas suas carreiras.

João Martins

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“Sou de família de músico, meu pai é sambista e vi dentro de casa desde menino o Samba ser executado, tocado, produzido e exaltado na sua mais prática e natural síntese. Sou filho do cavaquinista, arranjador e compositor Wanderson Martins que, além de ser o diretor musical do Martinho da Vila há mais de 30 anos, toca e grava com os grandes nomes.

Representando a chamada Nova Geração de sambistas cariocas que já desenvolveu uma pequena, porém significativa história perante a grandiosidade do que o Samba representa, me sinto à vontade em dizer que o Samba foi introduzido na vida de muitos jovens da minha idade nos meandros dos anos 90. Acostumados aos hits internacionais e seduzidos por outros ritmos, isso se deu através da fomentação nas grandes mídias daquele Samba mais romântico que equivocadamente foi denominado PAGODE. Devido as suas letras simples e harmonias mais fáceis, representou uma imediata identificação tornando os próximos passos de pesquisa, estudo, conhecimento e aprimoramento no interesse pelos antigos mestres mais óbvio. Fizeram, ao fim, um bom papel: Criou-se uma identidade e um critério.

Além de qualquer registro formal ou repetitivo de nosso início é preciso que, no Centenário do Rei Samba, o grito e o canto dessa geração também seja ouvido além dos guetos e quintais. Segura e mantem-se a essência do Samba renovando-se em novos compositores e artistas que não tem a máquina ou o devido incentivo para que outras grandes praças/mercados de cultura absorvam o que é criado aqui no RJ. O movimento existe e tá na boca do povo, do nosso povo que se confunde em estatísticas. Muitas vezes até boicotados por não nos encaixarmos nos parâmetros inicialmente ditos simples e convencionais que esse samba romântico ainda cisma em ecoar e impor seguimos da nossa forma complementando o ciclo da renovação e da força popular que o Samba significa”.



Ana Costa

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“O samba entrou na minha vida, efetivamente, no comecinho dos anos 90. Comecei fazendo parte de um grupo de samba idealizado e produzido por Martinho da Vila. O samba tem a importância afetiva, cultural, é estilo de vida, é a minha forma de expressão no mundo. Minha profissão é a música mas o samba assume o papel de condutor e toda a minha inspiração para tocar em frente essa profissão, vem do samba”.



Thiago Delegado

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“O samba entrou na minha vida ainda muito novo por influência dos meus pais que, apesar de não serem músicos, sempre admiraram o gênero. Aprendi a tocar violão tocando samba. Então posso dizer que ele faz parte de todo o meu envolvimento com a música.

O samba é vital na minha formação, dado que fui educado musicalmente ouvindo e apreciando os mestres do gênero. Além do que é a expressão máxima da cultura musical do nosso país, e motivo do meu envolvimento com a música. Sem o samba eu provavelmente não seria músico”.



Macelle Motta

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“Apesar de sempre ter almejado uma carreira musical, e ter crescido ouvindo samba na casa dos meus avós, confesso que meu interesse pelo ritmo veio aos 20 anos de idade, quando comecei a frequentar de fato rodas de samba. E o responsável por essa minha paixão avassaladora pelo samba e vontade de entrar a fundo nesse “universo”, foi nada mais, nada menos que o Mestre Cartola. A partir daí, só me impressiono e me apaixono cada dia mais pelo gênero. O samba me trouxe tantas pessoas maravilhosas que tive o prazer de conhecer e que hoje fazem parte da minha vida. Minha relação com o samba é de puro respeito e gratidão! O samba é o responsável pela artista que me tornei hoje”!



Arthur Espíndola

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“Desde criança nas reuniões de família que fazíamos todo domingo – enquanto meus primos brincavam de bola –  eu ficava nas rodas de violão com meus tios seresteiros. Logo depois entrei no conservatório e lá conheci um amigo que me levou pra escola de samba “Rancho, não posso me amofinar” (a 3º escola mais antiga do país em atividade). Uma escola do Jurunas, periferia de Belém, onde fui apresentado ao samba e me apaixonei.

O samba é meu melhor amigo. Quando estou triste é ele quem me melhora, quando estou feliz é com ele que eu comemoro. É a mais pura manifestação artística do brasileiro, é a nossa identidade. Em qualquer lugar do mundo quando se fala “Brasil”, automaticamente alguém responde: “Samba””.



Leandro Fregonesi

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“Primeiro como ouvinte, ainda criança. Depois comecei a compor, com 16 ou 17 anos. E hoje em dia é meu ofício, minha lida, meu ganha pão. Tenho 3 discos lançados, 1 DVD, músicas gravadas por artistas de todas as gerações e isso me enche de alegria. Já fiz shows em quase todos os palcos que acolhem o samba no Brasil, além de já ter tido a honra de levar nossa bandeira para Madrid, Barcelona, Cannes e Budapeste. Tudo isso foi a música que me proporcionou. É a ela que devo quem sou hoje. E sei que a brincadeira está só começando”.



Rogério Caetano

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“O Samba entrou na minha vida desde muito criança. Minha mãe é fá da Clara Nunes, Beth Carvalho, João Nogueira, Roberto Ribeiro, Alcione dentre vários outros grandes nomes do nosso Samba, desde sempre eu ouvia muitos discos de Samba com meus pais e agradeço muito a eles por me ensinarem a amar a nossa música.

O contato com a linguagem do Samba e do Choro desde a primeira infância fez e faz toda diferença na minha carreira. Tanto artisticamente quanto musicalmente e intelectualmente também. Considero de importância fundamental pra qualquer artista conhecer profundamente os fundamentos do Choro e do Samba inclusive historicamente falando. Isso tanto para instrumentistas, como para arranjadores, cantores e produtores em geral”.
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Pedro Paulo Malta

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“Entrou através de João Gilberto, de suas gravações de sucessos da bossa nova e também dos sambas antigos que regravou: Ary Barroso, Dorival Caymmi, Bide e Marçal, Wilson Batista, Geraldo Pereira. O samba é o ar que eu respiro: o tempo todo tem um samba na minha cabeça ou na minha boca – meu filho brinca comigo, dizendo que lá em casa a gente não precisa de rádio.

Difícil ser representado por um samba, viu? Mas o samba que mais representa o próprio samba (e me emociona toda vez que ouço) é “Feitio de oração”, de Vadico e Noel Rosa. Um samba lindo, lindíssimo, e que merece entrar em qualquer antologia de sambas”.



Thiago Miranda

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“O samba entrou em minha vida pouquíssimo tempo depois que eu tinha já me profissionalizado. Eu tocava na noite quando um ex-colega de turma do colégio me procurou porque queria montar um grupo de samba. Ele, pandeirista, e um amigo dele cavaquinhista. Ambos pertenciam ao Clube do Choro, apesar de jovens. Me deram vários discos para ouvir e assim entrei no samba, meio que por encomenda.

Hoje eu diria que é o gênero musical mais importante e fruto da maior paixão na música, pra mim. Tanto que meu próximo (segundo) disco será um disco de samba”.



Dani Turcheto

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“O Samba entrou na minha vida ainda criança pois perto dos 10 anos de idade eu já tocava em baterias de escola de samba…o Samba é onde eu me desenvolvo e expresso artisticamente…é o que alimenta a minha alma”.

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