Charme Chulo e todo o desespero de fazer Rock’n Roll

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“Coisas Desesperadoras do Rock’n Roll” é uma parceria dos primos Leandro Delmonico e Igor Filus. Ela foi gravada pela banda Charme Chulo no seu terceiro disco Crucificados pelo Sistema Bruto (2014). Leandro recorda que a inspiração para escrevê-la surgiu nos camarins de uma gravação para TV. “Era uma chamada para o festival Lulapaluna. Levei minha viola caipira e ficamos ali com a turma da Blindagem. No papo, o baixista Paulo Juk se queixava de uma dor no rim. Aquilo se juntou com outras coisas desesperadoras que vivíamos e me levou a concluir que naquele momento era melhor fazer o que a gente acreditava (mesmo com dor no rim ou nas costas) do que fugir da nossa essência por fins comerciais”, explica Leandro.

Era o ano de 2011 e a banda Charme Chulo acabava de voltar de uma temporada em São Paulo divulgando o seu segundo disco (Nova Onda Caipira, 2009). A banda passava por mudanças de formação (baixista e baterista) e buscava um novo repertório que renovasse a paixão dos integrantes pela música.

Assim que “Coisas Desesperadoras do Rock’n Roll” surgiu, caiu como uma luva: ela é o primeiro flerte da banda com o hard rock e traz o tom de ironia que o grupo buscava para o novo disco. “A música versa sobre todo o desespero de fazer rock (ou indie rock ou rock caipira), em condições precárias e, mesmo assim, amar e acreditar nisso”, reflete Leandro.

 

A faixa ganhou videoclipe, com direção de Eugênia Castello, em que a banda aparece num cenário de programa de TV e saúda símbolos da cultura roqueira: o motociclista com mais de 40, o figurino glam, a performance exagerada. Em celebração ao dia mundial do Rock, comemorado hoje, 13 de julho, o guitarrista Leandro Delmonico foi convidado a nos contar também sobre a sua iniciação neste gênero musical:

“Me iniciei do jeito mais clássico possível; para me enturmar e, consequentemente, montar uma banda. Gostava de futebol e na minha infância já havia pensando em tocar bateria, no entanto, não tinha contato com nenhuma pessoa da minha idade que tocasse algum instrumento. Meu pai gostava de rock clássico e lembro de aos 13 anos me encantar por algumas canções de rock. Nunca vou esquecer quando ouvi a música ‘Basket Case’, do Green Day, em algum documentário de skate e quis muito ter aquele som para ouvir de novo. Na época, fim dos anos 1990, o Igor (primo quase 4 anos mais velho e hoje vocalista do Charme Chulo) já começava a colecionar álbuns clássicos do Punk (Ramones, Clash, Pistols), além de bandas nacionais como Legião, Replicantes, entre outras. Eu estava ouvindo muito AC/DC e começando a gostar dos sons que ele me apresentava. Foi aí que meu pai chegou com uma guitarra usada, falando que eu podia ter aulas com um cara que ele conheceu na empresa. Nunca me imaginei tocando guitarra e não tinha coordenação motora para isso, não é à toa, que brinco que o fato de eu tocar o instrumento é um verdadeiro milagre da natureza. Após alguns anos descobrimos a música caipira de raiz e entendemos que rock não é apensas distorcer uma guitarra e fazer cara de mal, mas sim se mostrar jovem de alma, inovar e questionar as coisas pré-estabelecidas”.

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