Desculpa o transtorno, preciso falar sobre o Skank

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Quem me conhece sabe que eu não costumo dar uma opinião sobre um determinada banda ou artista solo sem que eu tenha um mínimo de conhecimento sobre a obra dele, que no caso da música, se refere as discografias.

O Skank é aquela banda que qualquer pessoa, por mais que não goste deles, sabe cantar pelo menos uma de suas músicas ou já ouviu na rádio, TV ou qualquer outro lugar. Quem não se lembra da abertura de Malhação com “Vou Deixar?” “Uma Partida de Futebol” é obrigatória em qualquer playlist de músicas que falem sobre o esporte bretão. Quem é mais novo, com certeza já ouviu a romântica “Sutilmente” em algum luau. “Garota Nacional”, “Saideira”, “Jackie Tequila”, “Te Ver”, “Pacato Cidadão”, a lista de hits é extensa.

Nos últimos meses, resolvi me deter a conhecer um pouco mais sobre o quarteto mineiro, formado por Samuel Rosa, Henrique Portugal, Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti. Um disco que me chamou a atenção foi o homônimo Skank, de 1992, um tanto desconhecido pelo grande público que em sua maioria, acredita ter sido Calando (1994), o primeiro disco da banda. A trilogia Calango (1994), O Samba Poconé (1996) e Siderado (1998) são os responsáveis por mostrar o que é o Skank na sua mais pura essência, no meio do turbilhão de produção musical nacional que foi os anos 90, para muitos uma década sem muito brilho, mas que nos deu diversas pérolas dentro não só do rock, mas na música popular brasileira.

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Maquinarama (2000) rendeu o Ao Vivo em Ouro Preto (2001), sendo um lançamento da série MTV Ao vivo e o primeiro registro oficial da banda tocando ao vivo. Esse disco foi seguido do Cosmotrom (2003), considerado por muitos o melhor disco do Skank, pela influência nítida do Clube da Esquina. Esse disco contem a famigerada “Vou Deixar” e a belíssima “Dois Rios”, uma parceria do Samuel Rosa com o Nando Reis e Lô Borges. Inclusive, os dois (Samuel e Lô) lançaram recentemente um registro ao vivo em CD e DVD onde se apresentam juntos cantando os sucessos de ambos. O trabalho ficou muito bom e vale a pena conferir.

Carrossel (2006) e Estandarte (2008) considero os álbuns mais pop da banda e renderam um dos melhores discos ao vivo dos últimos tempos, Ao Vivo no Mineirão (2010), uma despedida do antigo estádio, que seria fechado para as reformas para a Copa do Mundo, ele lhe caberia ser palco do 7 a 1. Enfim, é a vida. Velocia (2014), o mais recente trabalho do Skank traz uma sonoridade que lembra os trabalhos da banda nos anos 90, onde o ska e o dub se fazem muito presente e foi a combinação que fez a banda conquistar o Brasil.

Posso dizer que existe muita coisa do Skank que precisa ser “descoberta” pelo grande público, o chamado Lado B, que possui tanta qualidade quanto às músicas conhecidas da banda, principalmente seu disco de estréia de 1992. Como bons mineiros, o Skank foi comendo quieto ao longo dos anos e conquistou seu espaço dentro da música pop brasileira e se consolidou como uma referência, tendo uma carreira sólida e mantendo a tradição de grandes bandas mineiras. A obra do Skank está aí para ser digerida sempre que possível, até que o tempo se encarregue de coloca-la no panteão das grandes discografias da música popular brasileira.


Foto: Weber Padua

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