Entrevista: Aline Calixto

490
1
COMPARTILHAR:

Cantora e compositora nascida no Rio, mas radicada em Minas Gerais desde criança, Aline Calixto é puro talento e simpatia. Em seu terceiro disco, recém lançado, Meu Ziriguidum, ela aposta em sambas mais populares e alegres, compostos por grandes sambistas como Arlindo Cruz, Moacyr Luz, Serginho Beagá e novos nomes como Rogê, João Martins e Leandro Fregonese, além da própria Calixto.

Em onze canções, a cantora passeia por sambas de diversos gêneros, desde o romântico, como o feminista, caricato, festivo e religioso. As participações de Zeca Pagodinho (“No Pé Miudinho”), Arlindo Cruz (“Toda Noite”) e Emicida, na releitura do clássico de Clara Nunes, “Conto de Areia”, engrandecem mais ainda esse belo trabalho. Totalmente independente, o álbum tem a produção de Paulão 7 Cordas e Thiago Delegado.

Depois de lançar Meu Ziriguidum, em Belo Horizonte, Aline Calixto se prepara para apresentar, pela primeira vez, o disco ao vivo aos cariocas. Nesta quinta-feira, 20, a cantora sobe ao palco do Teatro Rival, no Centro do Rio, para um show especial.

Aproveitando o lançamento do seu novo trabalho, o Som do Som bateu um papo com a sambista sobre esse novo momento, disco, referências e show.

Os discos anteriores são focados mais no samba de raiz, já em Meu Ziriguidum você optou por canções mais populares. O que motivou essa mudança?

Alguns elementos acabam dando identidades distintas a cada trabalho. No “Meu Ziriguidum” por exemplo, o repertório é mais alegre e em alguns momentos romântico.  A produção foi assinada por dois nomes que são referência dentro do segmento. Não houve uma motivação específica pra seguir um caminho “mais popular”. Todos os meus trabalhos são reflexos da minha vivência, do que me influencia, da minha verdade.

O repertório traz uma mescla de compositores tarimbados e novos nomes. Como foi o processo de escolha das canções?

Tenho sempre muito cuidado, atenção e paciência para escolher repertório. Mas obvio que existem compositores que dialogam mais com o tipo de samba que faço, por exemplo Arlindo Cruz e Moacyr Luz e Serginho Beagá, são nomes bastante presentes em todos os meus cds. Gosto de ouvir a galera da minha geração também, e como tem gente talentosa né! Três deles, estão comigo no novo cd: João Martins, Raul Dicaprio e Leandro Fregonese, tenho muito orgulho e admiração por essa turma! Assino em parceria com o super talentoso Gabril Moura, a faixa que dá nome ao disco. Gosto de compor em parceria, e com Gabriel isso fluiu muito fácil.

O disco traz convidados especiais como o Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e o Emicida. Como ocorreu essas colaborações?

As participações no disco aconteceram de uma maneira bastante natural. Eu mesma liguei pra cada um e fiz o convite. Sao todos amigos queridos, pessoas com as quais já tive a oportunidade de dividir o palco em vários momentos. Zeca, Arlindo e Emicida não são só artistas maravilhosos, mas pessoas do bem, que estão onde estão por puro merecimento. Fico extremamente grata e feliz por te-los ao meu lado, um presente mesmo!

Uma das duas regravações do disco  é o sucesso da Clara Nunes, “Conto de Areia”, que contou com a participação do Emicida. Essa música em especial representa algo para você?

Esse foi um dos primeiros sambas que aprendi a cantar. Ele me traz sempre recordações maravilhosas! É também uma forma de lembrar-mos da nossa mineira querida Clara Nunes!

A Clara é a  sua grande referência feminina no samba?

Clara é uma das grandes referencias pra mim, assim como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Clementina, Eliseth, são tantas cantoras maravilhosas no nosso samba! Ô sorte, né!

E masculina?

Nossa… é muita gente que me influencia, vou citar alguns, mas tenho certeza que não caberiam todos aqui; Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Paulo Cezar Pinheiro, João Nogueira, Candeia, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ataulfo Alves, Adoniram Barbosa, Paulo Vanzolini, Monarco, Wilson Moreira, Cartola, Nelson Cavaquinho, Batatinha… ficaria aqui escrevendo pra mais de dia (risos).

Em se tratando da nova geração do samba, que você  se inclui. Como você  enxerga a cena? Quem vem chamando a sua atenção?

Poxa, a nova safra do samba tá muito bem representada. Fico super feliz em fazer parte de uma geração tão talentosa! Tem alguns que me chamam atenção, claro, e são influências também! Adoro Teresa Cristina, Ana Costa, Luiza Dionísio, Diogo Nogueira, Moyses Marques, Casuarina, e a turma é grande também!!

Você  tem um bloco no carnaval em BH, “Bloco Calixto”, já  pensou em gravar um disco carnavalesco?

Pois é, no carnaval o “Bloco da Calixto” entra em cena. Já passou sim por minha cabeça fazer um cd carnavalesco, mas isso é projeto pro futuro…

Nesta quinta-feira,20, você lança Meu Ziriguidum no Rio. Como será o show? Terá convidados especiais?

O show tá muito especial. Lançamos recentemente em BH dois dias, casa cheia, tudo lindo! Dessa vez quem assina a direção artística do show é o Kleber Di Lazzare, um profissional maravilhoso. A banda aumentou também, tem figurinos lindos assinados pela La Corte e TT. Como convidado especial terei a honra em receber o Paulão 7 Cordas, um dos produtores e arranjadores do meu CD. Só digo que está imperdível!

Serviço: Show de lançamento do terceiro disco de ALINE CALIXTO, Meu Ziriguidum:

Dia: 20 de agosto
Local: Teatro Rival Petrobras 81 anos – Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia / RJ
Horário do show: 19h30
Valores dos ingressos: R$ 60 (inteira) l R$ 40 (preço promocional para os 200 primeiros pagantes) l R$ 30 (meia- entrada)

 

COMPARTILHAR:

Comentários no Facebook