ENTREVISTA – Blend 87

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Com vontade de fazer bonito e bem feito, a banda mineira na raiz e cosmopolita nas referências, Blend 87, nasce do encontro de cinco jovens compositores e parceiros em projetos musicais na cena da cidade.

Com arranjos bem marcados pelo cuidado harmônico de Renato Da Lapa (guitarra e violão) e Vinicius Steinbach (teclado) e pelas levadas da cozinha formada por Douglas Poerner (baixo) e Nathan Itaborahy (bateria) a leveza de voz de Bruna Marliére se encontra com o peso da banda, produzindo uma sonoridade criativa e acessível.

O processo criativo da banda que se permite de ritmos brasileiros, o groove-jazz ao o rock ‘n’ roll, soa despretensioso e experimental acreditando na canção como síntese da mistura de trajetórias e influências distintas.

Conversamos com o baterista da Blend 87, Nathan Itaborahy sobre o novo disco, o processo de criação e projetos para 2017.

Como se deu a formação da Blend 87?

A banda foi idealizada pelo Vinícius Steinbach, tecladista, que já vinha tentando reunir os integrantes para um novo projeto. Devido à dificuldade de agendas e desencontros, essa reunião só aconteceu em 2012, quando alguns artistas de Juiz de Fora se reuniram para homenagear o aniversário do primeiro álbum dos Beatles, cada um regravando uma versão de cada faixa do disco.

Percebendo a conexão musical e o desejo comum de fazer música, o projeto foi ganhando continuidade, até estrear nos palcos em maio de 2013, com um repertório variado que reunia diversas influências nacionais e internacionais. A formação atual, com Nathan Itaborahy na bateria, aconteceu em 2014 e acendeu ainda mais a proposta autoral da banda, já que todos os cinco integrantes são compositores.

Qual o conceito artístico que imprimem em suas composições e arranjos?

A Blend 87 é um coletivo de compositores com trajetórias bem particulares que explora, ainda que espontaneamente, a fronteira entre estilos, gêneros e discursos. Sempre nos foi sugestiva a ideia do “entre-lugar”, do desejo de encontrar um espaço próprio entre tantas tradições e estéticas. Nesse sentido, o nome da banda retrata bem o conceito artístico: a mistura, a libertação dos rótulos, a disposição à novidade que surge da nossa interação.

Sendo um grupo com cinco integrantes, como as influências individuais atuam no momento da criação?

Escutamos e vivenciamos coisas diferentes, temos formações bem distintas, participamos de outros projetos musicais… enfim, esse movimento é inevitável. A ideia é que essas influências individuais diversas sejam celebradas, que se interfiram, se provoquem. Estamos sempre à procura do “efeito pororoca”, ou seja, que as referências constituam nosso som, mas se encontrem dissolvidas e reinventadas.

Falando em grupo, a Bruna é a única mulher da banda. Como é a relação diária profissional entre todos nesse âmbito?

É um tempero importante dessa nossa mistura, uma doçura que nos equilibra, tanto do ponto de vista musical quanto da convivência. A presença da Bruna traz ao nosso som a delicadeza feminina, o contraste necessário com o peso do som, o colorido que só as mulheres são capazes de fornecer. Na relação diária a doçura feminina aparece no cuidado maternal, na atenção para as pequenas coisas, na firmeza com planejamento e execução, dentre tantas outras coisas que nos dão certeza de como ela é parte essencial do coletivo.

Como foi o processo de produção do primeiro disco?

O processo foi libertário e experimental. Enviamos o projeto para Lei Murilo Mendes (lei de incentivo à cultura de Juiz de Fora, nossa cidade) no ano passado e depois da aprovação iniciamos um processo de experimentação bem rico: testamos todas as composições que poderiam soar bem, numa primeira leitura das possibilidades de interpretação. Chegamos a trinta canções que poderiam estar no disco e gravamos todas elas ao vivo para enviar ao produtor do disco, Nando Costa. Depois de muitas audições e conversas, chegamos às dez músicas ideais para esse projeto, que contemplam nossa intenção artística e que melhor funcionam para nosso formato.

Essas dez músicas foram pré-produzidas em estúdio com o Nando, quando delimitamos o esqueleto, as intenções musicais e o formato básico  de cada uma. Após, passamos a gravação das guias, ainda em Juiz de Fora. Estamos agora – neste exato momento em que respondemos à entrevista – no Estúdio Versão Acústica, em São João Necepomuceno realizando a gravação do disco.

Quais os planos para 2017?

A Blend 87 vivenciou em 2016 um amadurecimento muito significativo. Gradativamente estamos construindo conhecimento e estrutura para produzirmos um trabalho interessante e sustentável. Com o CD finalizado, o ano que vem será de procura de novos caminhos e públicos para que nosso trabalho reverbere e cresça. Portanto, vem por aí muito trabalho: vamos tocar bastante, nos inscrever em festivais, gerar material, buscar novas possibilidades.

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