Entrevista: Coronel Pacheco

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Dois anos depois de lançar o EP Não Parece Tão Legal Agora e chamar a atenção da mídia especializada, a banda Coronel Pacheco apresenta o seu álbum de estreia Petit Comité, fruto de uma bem sucedida campanha de crowdfunding realizada no site Cartase. Apesar da essência roqueira, o grupo aposta novamente em um misto de ritmos latinos, guitarrada paraense e melodias ensolaradas, que passeiam pelo indie, carimbó, ska e salsa. Canções cheias de swing, feitas para se divertir e dançar sozinho ou a dois, por que não?

É nessa malemolência e approach que o quarteto, formado por Luiz Hygino (guitarra e voz), Eduardo Barreto (guitarra e voz), Bruno Brandão (bateria e voz) e Rodrigo Passeira (baixo) – convida as pessoas e conhecerem melhor a sua música, cheia de referências brasileiras como Felipe Cordeiro, Do Amor, Skank, Paralamas do Sucesso, Los Hermanos, Orquestra Imperial e Rubinho Jacobina

O grupo desembarca amanhã no Rio de Janeiro para sua estreia na cidade e para a primeira apresentação do disco depois do lançamento. O show será na Fêra Féra – Porque Amos o Bruno de Lucca, evento que reúne arte, moda, gastronomia e música, a partir das 13h, no hostel Hospedaria Rio (Rua Vicente de Souza, 29) e ainda terá a apresentação da banda Séculos Apaixonados.

Antes de chegar a cidade maravilhosa, os paulistas conversaram com o Som do Som sobre essa gambiarra sonora, o  novo trabalho, as participações especiais, o show no Rio, cultura, política e ainda rolou um faixa a faixa. Confere aí!

Nome da banda 

“Adotamos o “Pacheco” porque adoramos tudo que é brasileiro. A música, os ritmos, as danças, as pessoas… Esse termo normalmente é usado de maneira pejorativa, mas pra gente interessa ressaltar o melhor lado da nossa cultura. E o fato do Rodrigo (baixista) ter “Pacheco” no sobrenome também influenciou bastante, não podemos mentir”.

Referências Sonoras 

“Vem muito do que a gente gosta de ouvir e dos lugares que gostamos de frequentar. Pra gente é um prazer se deixar influenciar por tanta coisa legal que vemos rolando. Por exemplo: “Copo Cheio” foi feita depois de uma viagem pra Belém onde vimos um show do Felipe Cordeiro, “Bismarck” foi feita em uma época que estávamos curtindo muito a banda Do Amor, “Petit Comité” foi pensada depois que vimos o dancehall virar base de vários hits e decidimos testá-lo mesclado com guitarradas, “Menino da Lua” se inspira bastante em músicas dos primeiros discos do  Skank que voltamos a ouvir bastante, e por aí vai”.

Petit Comité

“A música “Petit Comité” que dá nome ao álbum fala sobre a vontade de querer poder passar um tempo bom com aquela pessoa maneira, de fazer aquela festinha pra dois, no meio de tantos compromissos que a vida adulta traz. Decidimos usá-la como nome do disco porque é isso que queremos propor para as pessoas que ouvirem nossas músicas. Sabemos que parar pra ouvir um disco inteiro hoje é algo cada vez mais difícil, principalmente quando falamos de bandas novas como a gente. Mas o convite está feito”!

Faixa a faixa

““Petit Comité” é sobre passar um tempo bom ao lado de alguém você gosta no meio de tantos compromissos que acabam ditando o ritmo de nossas vidas; “Fast Fashion” é sobre estar na moda. Na verdade enquanto conversamos aqui três novas tendências já devem ter sido lançadas; “Sofia” também fala sobre isso, mas amplia esse assunto pra comportamento e estilo de vida. O novo/velho, antigo/moderno é uma percepção cada vez mais maluca, né?; “Conversa de Botas Molhadas” é uma das primeiras músicas que fizemos e decidimos colocá-la no disco com um novo arranjo. Ela fala sobre viver a vida buscando sempre o que te faz se sentir uma pessoa massa; “Copo Cheio” apresenta duas histórias que poderiam ter finais tristes mas que se resolvem da melhor maneira possível. A ideia do arranjo surgiu depois de uma viagem à Belém; “Bismarck” é a jornada do herói aplicada à um jovem complexado que resolve virar publicitário; “Menino da Lua” apresenta versos adaptados do Baffô. O trabalho dele é lindo e bastante inspirador (recomendamos!); “Vale” fala sobre aquelas histórias de amor que nunca chegam a acontecer, sob o ponto de vista de um iludido que se permite sonhar alto; “Quem Perde Ganha” é uma música que o Luiz (voz e guitarra) fez há algum tempo e já havíamos lançado como single na época da nossa campanha de crowdfunding. Ela resume bem o som do Coronel, junta um ritmo dançante e bem brasileiro com timbres e momentos de rock; “Sol Nascente” é nossa música mais romântica e tem um final “apoteótico” que desde o começo foi pensado pra fechar o disco com chave de ouro”.

Participações no disco

“As participações foram incríveis! Além da criatividade que todos trouxeram às canções, ficamos bem felizes por que são pessoas que admiramos bastante.

O Guilherme Kastrup (Elza, A Mulher do Fim do Mundo) gravou percussão em quase todas as faixas. Além de ajudar com os grooves ele cria um monte de detalhes que vão te envolvendo a cada audição; O Chicão, ou Rafael Montorfano (Lineker e participação no Melhor do que Parece d’O Terno), gravou teclado na maioria das músicas. Ele também ajuda a dar ritmo, como em “Fast Fashion” e “Quem Perde Ganha”, mas também trouxe algumas melodias como em “Copo Cheio” e “Petit Comité”; O Natan Oliveira (Banda Black Rio) gravou metais. Em “Vale” e “Menino da Lua” ele fez arranjos bem tropicais que as músicas pediam, e em “Sol Nascente” ele entrou com a gente na ideia de fazer um momento especial no final da música; o Rafael “Mimi” Almeida (Nx Zero e Projeto Caixa Preta) fez participação em “Conversa de Botas Molhadas” e “Sol Nascente” tocando guitarra, e junto com Daniel Weksler (Nx Zero) ajudou no arranjo de “Quem Perde Ganha”; e pra fechar Victor Meira (Bratislava) e Thais Bonizzi (cantora solo) ajudaram bastante nos arranjos vocais e gravaram algumas vozes pra gente”.

Eros como símbolo

“Então, na verdade isso foi acontecendo. Quando demos nome ao  EP (Não Parece Tão Legal Agora) decidimos buscar objetos  antigos aparentemente fora de moda pra criar a capa. Foi aí que entrou a ideia de usar alguma estátua. Então nós achamos uma loja de gesso online e escolhemos este busto porque além de termos achado ele mais bonito, descobrimos que se tratava de uma imagem de Eros, o deus do amor.

Depois, já para o “Petit Comité”, nossa ideia foi fazer uma capa que reunisse elementos de nós quatro formando uma sala de estar no meio da Vila Mariana, local que nos conhecemos. Como as quatro músicas do EP fazem parte do disco achamos legal trazer o Eros de gesso como um desses elementos. Mas como você falou ele virou quase um “mascote” mesmo. Costumamos levá-lo para os shows com a gente”!


Fêra Fóra x Cultura x Política 

“A Fêra Fóra é uma edição da Fêra Féra, evento que já nos apresentamos aqui em São Paulo. É uma feira que reúne o pessoal da moda, fotografia, pintura, gastronomia, design e música. Acho que essas pessoas acabam tendo posições políticas próximas porque sabem da importância da cultura na vida das pessoas e não compactuam com muita coisa que temos vivido. Nestes tempos de tanta esquisitice acontecendo é importante mostrar união e reforçar valores que acreditamos.

A música, assim como qualquer outra manifestação cultural, mesmo que indiretamente, acaba transmitindo uma mensagem. Pode ser um verso, uma rima ou até uma única palavra que vai construir um significado na cabeça das pessoas”.


Lançamento no Rio

“Ficamos bastante animados com o convite de tocar no Rio de Janeiro! É nossa primeira vez e estamos bem felizes. Temos amigos que moram lá, já tocamos com uma banda carioca aqui em São Paulo que curtimos bastante, a Padre dos Balões, e será a primeira vez que tocaremos o disco depois do lançamento. Tudo isso criou uma expectativa muito gostosa”.

 

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