Entrevista: Eliano

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O desejo incessante de sair de casa em busca de aventuras é o sentimento presente no disco Ecdemomania, primeiro trabalho do cantor potiguar Eliano.

Natural de Pau dos Ferros, auto oeste potiguar, o cantor de 24 anos que também é estudante de letras da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte pode ser considerado como um dos frutos da tradição musical das cidades do interior norte-riograndense.

De influencias diversas, o cantor nos concedeu uma entrevista onde nos contou sobre sua caminhada com a música, o disco e planos futuros. Confere aí.

Como foi o seu início com a música?

Desde muito novo eu apresentava uma certa declinação pra arte. Sempre estava desenhando ou improvisando algum instrumento com as coisas de casa, escrevia e lia muito. Foi na música que me encontrei mais ligado a partir de um grupo de flauta doce da minha cidade. Aos 13 anos ganhei meu primeiro violão e a cada dia sentia mais convicção de que eu gostava daquilo. Estudei teoria musical na banda filarmônica de Pau dos Ferros, toquei saxofone e guitarra em algumas bandas de rock atuantes na cena, fiz voz e violão em barzinhos. Em 2014 lancei meu primeiro EP solo com quatro faixas, que já inaugurava um projeto autoral dedicado. Em dezembro de 2015 lancei meu primeiro disco.

Quais as suas principais influencias musicais?

Minhas primeiras influências musicais vieram do rock: Legião Urbana, The Beatles, Pink Floyd, Queen. Depois disso, esse meu gosto foi se voltando pra MPB: Belchior, Fagner, Caetano, Chicos (o Buarque e o César). Gosto muito de música nordestina, brega, forró, baião etc. Sou fã de Los Hermanos porque neles encontrei o rock e a MPB juntos. Eu quis fazer isso também, juntar as sonoridades, guitarras e voz baixa, com um pouco de folk aqui e ali. Mas preciso dizer que minhas influências mais diretas são, na verdade, as bandas atuais. A música feita hoje em dia no Brasil é muito rica em sonoridade, em mistura. Poderia citar um monte de gente que faz parte da minha playlist. Os clássicos ocupam um espaço importante, mas frequentemente faço download de algum artista novo.

Como foi o processo de preparação do disco?

Gravado durante o ano de 2015 no Studio Aires em Mossoró – RN, o disco foi produzido por mim e por Paulinho Aires, que também mixou e masterizou. Foi lançado no dia 01 de dezembro de 2015 na internet.
Das dez músicas contidas, 9 são composições próprias e uma (O amanhã) foi cedida pelo cantor Artur Soares. Há duas parcerias: O escritor e jornalista mossoroense José de Paiva Rebouças escreveu a letra de “Dentro do televisor”; o mesmo ocorreu com na faixa “Desmudando”, a letra é um poema de poeta Manoel Cavalcante musicado por mim. O restante das músicas é inteiramente autoral.

Por que “Ecdemomania”?

Ecdemomania: “Substantivo feminino s.f. Medicina. Desejo, considerado fora do normal, de estar longe de casa; vontade patológica de perambular longe de casa; obsessão por viagens; fugir de casa”.
É esse sentimento que permeia o meu primeiro disco. Uma obra em primeira pessoa, em que o eu-lírico é um menino da cidade pequena interiorana que alcança, através da música, lugares distantes.

Certos artistas e bandas, geralmente os que fazem parte do mainstream  e principalemten, as grande gravadoras, ainda insistem em brigar contra o download gratuito. Gosto sempre de saber o que os artistas independentes acham disso, já que na maioria dos casos, a internet é a principal ferramenta de divulgação.

Artistas consagrados vendem discos. Eu tenho consciência de que não venderia. Eu quero que as pessoas escutem o que digo e pra que isso aconteça tenho que pôr de graça na net e divulgar os links. Penso que funciona assim. No início sempre é difícil, o jeito é facilitar as coisas o máximo que der. A internet é democrática. Todos podem produzir seu conteúdo e disponibilizar. O público é que é seletivo. Se o objetivo é chegar ao público, o jeito é esse.

Você tem envolvimento com movimentos sociais, correto?

Sim sim, sou co-fundador de um coletivo cultural chamado “Ribuliço”. Promovemos saraus de poesia em espaços públicos e escolas. Dialogamos com a juventude.

De alguma forma, esse envolvimento influencia na sua música?

Influencia, com certeza. Minha música expressa o que eu acredito: a igualdade entre homens e mulheres, o respeitos às etnias, a juventude viva e atuante. Acredito que a arte é uma forma de inclusão e um meio de mudar o mundo.

Para finalizar, quais os planos futuros?

No próximo dia 15 farei um show de lançamento na minha cidade, Pau dos Ferros. Será na Casa de Cultura Popular Joaquim Correia. Esse será o primeiro de uma série de apresentações que pretendo fazer durante o ano de 2016. Estamos agendando com alguns produtores do RN e de outros estados no Nordeste e quando estiver tudo certo, calma na alma e pé na estrada. A ideia agora é tocar esse disco por aí. Há umas coisinhas que não podemos divulgar ainda. Tudo na hora certa.

Foto: Julia Ferreira

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