Entrevista: Jurema Paes

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O Rio de Janeiro irá se transformar em um pedaço da Bahia no próximo fim de semana. A cantora e compositora soteropolitana,Jurema Paes irá apresentar pela primeira vez ao público carioca o seu segundo disco, Mestiça. O show será nos dias 17 e 18, dentro do projeto Levada, no Oi Futuro Ipanema.

Com produção musical de Marcos Vaz e coprodução de Cássio Calazans, o elogiado álbum traz uma mistura de melodias, ritmos, sonoridades, línguas e linguagens, passando pelo sertão da Bahia e pelas matrizes indígenas, portuguesas e africanas. São 10 canções em português, inglês, francês e espanhol.

Conversamos Jurema sobre a construção desse novo trabalho, as participações especiais de Chico César e Zeca Baleiro, além dos shows que a baiana irá fazer no Rio.

A produção de “Mestiça” contou com músicos do Brasil, Suécia, México e Moçambique. Como ocorreu essa reunião? Como essa mistura está representada nas canções?

O disco conta com músicos do Brasil, da Suécia e de uma musicista/cantora do Moçambique. Compositores brasileiros e do México. Foi mixado na Suécia por um brasileiro e por um sueco e masterizado em Londres por uma inglesa. A ideia foi justamente através do som habitar o que compreendo por estações globais, geografias que pertencem as trocas de códigos das culturas do mundo através da articulação de melodias, ritmos, sonoridades, línguas e linguagens. A proposta foi encontrar o DNA das canções no que compreendemos por ancestralidade, trazendo a baila possíveis intersecções por exemplo entre o semi-árido do alto-sertão baiano na musica Imbuzeiro de Elomar  e o semi-árido da etnia Chope no Moçambique, então camadas de vozes percussivos-melódicas fizeram a cama para a melodia deitar e rolar em múltiplas dimensões estelares e intercontinentais, na ideia de através da linguagem musical chegarmos na unidade filosófica de humanidade

Grande parte das faixas trazem referências a cultura africana. Até que ponto o seu lado historiadora ajudou nas composições e na escolha das gravações?

A música e a história pra mim estão alinhavadas porque fazem parte da minha estória de vida, fui criada em meio a contadores de história e músicos, então ambas coisas foram acontecendo de maneira muito natural pra mim. Ao que concerne o repertório, de 100 músicas eu escolhi 11, foi um árduo trabalho para encontrar um bom encaixe entre timbre, personalidade e canções. Já o meu lado historiadora/antropóloga entrou na vivência de entender o disco como um amálgama de linguagem artística e pensamento, onde tempos pretéritos se desdobram no presente e futuro. Para o historiador a entidade tempo/pesquisa é super importante e esse elemento com certeza foi lastro central nesse trabalho. Quanto a matriz africana presente no álbum, ela vem como elemento articular presente na cultura brasileira onde pra mim ela está colocada no centro enquanto linguagem estético musical e portante enquanto um dos elementos fundantes da cultura/pensamento brasileiro e latino americano.

O disco conta com Chico César e Zeca Baleiro. Poderia falar sobre essas participações?

As participações de Chico César e de Zeca Baleiro habitam o lugar potencial do afeto e da cultura das contribuições, ambos são amigos que possuo afinidade artística, pessoas com quem me identifico muito nos quesitos humanidade e arte. Chico fez uma participação linda alinhavando vocais mouriscos com aboios propondo uma viagem hetéria e mágica nas canções que ele participou e Zeca Baleiro foi fantástico em “Chula no Terreiro” dando uma dimensão épica e estilosa a canção de Elomar.

Os shows no Levada (17 e 18 de julho) marcam o lançamento do álbum no Rio de Janeiro. Qual a expectativa por apresentar o novo trabalho pela primeira vez na cidade? O repertório será baseado somente em “Mestiça” ou terá canções do disco de estréia? Terá algum convidado especial?

Estou muito feliz de poder lançar o álbum no Rio e nesse projeto do Levada, primeiro pelo significado da cidade do Rio de Janeiro no processo constitutivo da música brasileira e pelo projeto do Levada ter uma abordagem cartográfica da música brasileira produzida nesse prelúdio de século XXI. O show contará com o repertório do disco e de algumas canções que estou experimentando para meu terceiro álbum. Quanto a participações especiais tem duas pessoas que estou tentando me conectar no Rio, mas que não posso ainda afirmar que irão porque não tem nada certo ainda. Vamos tratar como elemento surpresa.

Serviço:

Quando: 16 e 17 de julho
Onde: Oi Futuro Ipanema – Rua Visconde de Pirajá, 54/2º andar – Ipanema
Horário: às 21h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

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