Entrevista: LULI

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Conhecida em Belo Horizonte por seu nome próprio, Luísa Gontijo, que é como assina as produções que realiza e participa. Por muitos anos Luísa atuou nos bastidores de shows, festivais e direções de videoclipes, e, para se lançar de fato à sua carreia artística, se autonomeou LULI.

A multiartista acabou de lançar o seu primeiro trabalho, o EP Deserto. Produzido pelos músicos e produtores Nobat e Leonardo Marques, o álbum é composto por quatro faixas, todas de autoria da cantautora e as canções do disco possuem um ar melancólico. Pessoalmente destaco a música ‘Madrugada’, que tem em sua letra uma certa poesia do romance moderno.

No fim de maio Luli lançou o single “Nunca Mais”, que lhe rendeu destaque em sites especializados como o português bodyspace.net e o paulistano Miojo Indie.

A cantora sobe ao palco do Idea Casa de Cultura, dia 29 de junho, na capital mineira, para lançamento oficial. No show, LULI será acompanhada pelos músicos Nobat, Leonardo Marques (Transmissor) e Danilo Derick (Valsa Binária). Depois da estreia em Belo Horizonte, o lançamento passará também por São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Porto Alegre em datas a serem confirmadas.

 

As suas canções são melancólicas e, com exceção de “Madrugada”, com letras curtas. Qual sua base para a inspiração poética e musical?

Consumo bastante conteúdo, os mais diversos. Música em primeiro lugar. Ouço o tempo inteiro e gosto tanto de dissecar discografias clássicas como conhecer bandas contemporâneas. Isso me serviu e serve de inspiração pra explorar letras e melodias na composição. Mas tenho feito minhas investidas no cinema, na literatura, na performance, nas artes visuais, etc. Tudo isso é inspiração, além da vida cotidiana que me dá muito assunto e questão a ser trabalhada.

Você atua no meio musical de Belo Horizonte há muitos anos. Por que levou esse tempo para lançar seu primeiro trabalho?

A produção cultural foi circunstancial em minha vida. Sempre fui muito tímida e pra me aproximar da música sem colocar minha cara à mostra, resolvi abrir uma empresa de produção. Demorei a lançar meu trabalho por três motivos básicos: primeiro por causa da minha timidez, que me inibiu muito, segundo porque esperei sentir orgulho e confiança nas músicas que vinha compondo e terceiro porque quis cuidar com muito carinho do trabalho antes de colocá-lo no mundo. Esses fatores atrasaram a publicação, mas valorizaram muito o processo e me ajudaram a evoluir como cantautora.

Atualmente em BH há uma forte cena feminina de artistas cantautoras e compositoras. Como enxerga esse fortalecimento e o que espera para o futuro dessa cena?

Sinto um enorme orgulho em ver mulheres tocando baixo, guitarra, bateria e não mais somente nos backing vocals, lugar-comum destinado à nós. Adoro fazer backing vocal, mas nossa atuação andava muito limitada. Aqui em Belo Horizonte temos bandas como a Miêta (composta em sua maioria por mulheres) e artistas como Sara Não Tem Nome e Jennifer Souza e isso é muito incrível. A mulher deve ocupar todos os lugares que quiser. Nos unir é, certamente, um caminho viável para a expansão dos limites que nos deram. Torço pra que façamos mais coisas juntas.

Quais os próximos passos de LULI?

Produzirei um videoclipe do álbum Deserto logo depois do show de lançamento em Belo Horizonte. Além disso, pretendo circular o show de lançamento por algumas cidades do país. Em novembro embarco para Portugal pra mais uma leva de shows com o Nobat e pretendo marcar algumas datas voz & violão pro meu projeto. Por falar em Nobat, estamos atualmente gravando seu terceiro disco, Estação Cidade Baixa, que será lançado no segundo semestre deste ano. Portanto devemos circular bastante nos próximos meses. Quero trabalhar muito o Deserto antes de pensar em um próximo trabalho meu. Fora da música tenho me dedicado à costura e um dia pretendo lançar uma coleção.

Para ouvir Deserto:

YouTube: https://goo.gl/Q53yzo

Spotify: https://goo.gl/Jihe58


– Foto por Rafael Sandim

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