Entrevista: Milongas Extremas

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Prestes a completar 10 anos de carreira, a banda uruguaia Milongas Extremas volta ao Brasil no inicio de dezembro para se apresentar no Festival Morrostock. Essa é a segunda passagem do grupo pelo país, em 2015 fizeram parte do lineup do festival latinoamericano El Mapa de Todos.

Formada por Francisco Motta, Matías Rodríguez, Santiago Martínez e Pablo “Palo” Piñeyro, a Milongas foi criada em 2008 como um tributo ao tradicional grupo de hard rock espanhol Extremoduro. Diferente da sua inspiração, os uruguaios resolveram fazer um som voltado para as suas raízes ao apostar na milonga e apenas nas guitarras criollas, mas mantendo a energia e o espírito roqueiro.

Nesse embalo o quarteto vem lotando teatros no Uruguai e já lançou dois álbuns, o mais recente, intitulado Temprano (2016), traz, nas sua maioria, canções autorais. É com esse novo show que a Milongas Extrema vem rodando os países e irá apresentar em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Mas antes de desembarcar por terras brasileiras, Matias Rodriguez conversou com o Som do Som sobre o projeto, novo disco, o Festival, francisco, el hombre, as dificuldades de tocar no Brasil e o futuro.

Mesmo sendo formada por músicos que já tocavam em bandas autorais vocês optaram por criar um grupo tributo a banda espanhola Extremoduro. Por que essa escolha? Não foi uma opção arriscada por já ter um público?

Não foi algo tão pensado. Nós simplesmente queríamos experimentar as guitarras criollas nesse formato, e, ao mesmo tempo, queríamos tocar músicas do Extremoduro porque era uma banda que gostávamos, embora nenhum fosse grande fã. Então, acabou se tornando um belo encontro ao descobrirmos simultaneamente as músicas e o modo de tocar em um quarteto de milongas.

Quatro anos depois da criação, a banda lançou o seu primeiro disco…

O primeiro álbum contém apenas músicas do Extremoduro, porque era o que tocávamos naquele momento. Nossa intenção era eternizar em um álbum o que estava acontecendo com a banda, como se fossemos dizer “bem, isso é o que fazemos até agora”. Talvez, a partir desse momento, começou a gerar um certo de desejo de fazer nossas próprias músicas.

Vocês são quatro violonistas e apesar de inspirados por uma banda de hard rock fazem um som mais tranquilo…

Nossa sonoridade foi moldada fazendo as versões do Extremoduro, então sempre carregamos uma carga de rock para além da instrumentação. Mas o formato do quarteto de milonga já impede de ser algo tranquilo. Talvez por causa do som de cordas de nylong, ou porque não tem bateria ou projeção elétrica, se supõe ser algo mais leve. Nós sentimos que a milonga tem muito poder e se encaixou perfeitamente com as músicas do Iniesta (Roberto Iniesta, guitarrista e vocalista do Extremoduro). Com esse modelo roqueiro e milonguero ao mesmo tempo, começamos a trabalhar as nossas letras.

No ano passado vocês lançaram o disco Temprano e vão toca-lo pela primeira vez no Brasil. Poderiam falar um pouco sobre ele? Ainda tem elementos do Extremoduro ou é totalmente Milongas Extremas?

Eu acho que sempre teremos algo em nossas canções, já que Extremoduro e as composições de Robe em geral foram e ainda são uma grande influência para nós. Ao mesmo tempo, cada um de nós tem muitas outras influências de outros estilos e outras músicas, de Caetano Veloso a Daft Punk. E, claro, o trabalho de Alfredo Zitarrosa, que está sempre presente. Nossas canções pretendem expor o que sentimos no nosso dia a dia, a realidade em que vivemos.

Esta será a segunda vez da banda no Brasil, na primeira vocês se apresentaram no festival de música latina El Mapa de Todo e agora tocam no Festival Morrostock que completa 11 anos em 2017 e tem o seu lineup formado na sua maioria por atrações brasileiras. Tem alguma diferença tocar para públicos relativamente distintos? Qual a expectativa da banda?

Na verdade, a primeira vez que fomos, não sabíamos o que esperar. Nós assumimos que o idioma poderia ser um obstáculo, além de sermos quase completamente desconhecidos. Tivemos a sorte de compartilhar o palco com o grande Vitor Ramil e Onda Vaga, e isso fez com que o teatro estivesse lotado e o público ansioso para nos ouvir. Desta vez, nós vamos para um lugar diferente e com outras bandas desconhecidas para nós, e é isso que mais gostamos. Poder conhecer outras propostas musicais e mostrar a nossa. A nossa forma de tocar para novos públicos é sempre a mesma. Tocamos com alegria e buscamos transmitir isso para todos que vão nos ver.

Uma das atrações do festival será a banda brasileira/mexicana franciso, el hombre que tem feito bastante sucesso no Brasil fazendo um som bem latino e recentemente estiveram em turnê no Uruguai com Cuatro Pesos de Propina. Conhecem a banda? Vocês acham que essa proposta rítmica da banda ajuda a acostumar os ouvidos dos brasileiros com a música latina e pode despertar o interesse das pessoas de querer conhecer novos artistas da América do Sul?

Claro, nós os conhecemos e temos a sorte de sermos seus amigos. Eles têm um som muito atual e ao mesmo tempo  acústico e isso é muito interessante. E, na minha opinião, o Brasil é tão extenso e rico em propostas musicais, que às vezes dificulta a entrada de algo em outro idioma. É por isso que celebramos a proposta do francisco, el hombre e espero que continuem a gravar  discos e festejando a música com suas apresentações.

Falando nessa dificuldade. Por mais que tenham criados festivais latinos no país ou tem se buscado inserir artistas da América do Sul em lineups você acha que ainda é difícil transpor a barreira do público brasileiro em relação a música latina?

É um pouco difícil, porque, além da linguagem, o Brasil é muito rico em expressões artísticas e tem muitas opções. Mas já faz algum tempo que o país vem abrindo as portas para bandas latino-americanas e isso significa que as pessoas estão interessadas em ouvir a música que os países vizinhos andam fazendo. Isso ajuda a mostrar que a música não tem barreiras.

Além do show no festival vocês têm algum outro agendado no país?

Estamos tentando fechar mais alguma data em São Paulo, para aproveitar a viagem e tocarmos o máximo possível. Eu queria que houvessem muitos.

No ano que vem a banda completa 10 anos de carreira. Estão preparando algo especial em comemoração?

Estamos pensando em várias coisas. Com certeza uma apresentação em um grande teatro em nosso país está em nossos planos. Mas, por enquanto, está só no campo das ideias, já que no momento estamos em turnê e temos que aproveitar.

Foto: Dale Grabar

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