Entrevista: Rodrigo Santos

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Cada vez mais a vontade na carreira solo, Rodrigo Santos mostra que a atitude tomada em 2007 de encarar o microfone foi um tiro certo. O baixista do Barão Vermelho já lançou cinco discos, um DVD, já se apresentou para mais de 70 mil pessoas em Copacabana, além de ter participado de grandes festivais, como o Rock in Rio, onde irá repetir a dose três vezes na edição 2013.

Recentemente o músico lançou o disco, Motel Maravilha, considerado pelo mesmo com o seu melhor trabalho, “Cheguei no que eu queria chegar”. No álbum ele reafirma o seu gosto pelo Rock, mas abre espaço também para o seu lado romântico e até para o samba.

Mas o “tempo não para” para ele, que também faz parte da banda Os Britos juntamente com George Israel, Guto Goffi e Nani Dias. É com esse projeto que o músico irá fazer sua primeira apresentação no Rock in Rio deste ano. Eles sobem ao palco da Rock Street amanhã, 15/9. Depois, sozinho ele faz show nos dias 19 e 20/9 no mesmo espaço. Quer saber o que vai rolar? Leia a entrevista que o Som do Som fez com o cantor, compositor e baixista que fala do festival, do disco novo, da carreira e do problema que teve com as drogas.

O quarto disco traz onze músicas compostas por você e algumas em parcerias, uma delas com o ex-Police, Andy Summers. Como foi o processo? 

Fui compondo as canções em 2012 e no meio do ano convidei o Nilo Romero pra produzir. Mostrei as músicas (eram 15) de voz e violão e depois resolvi começar pelas guitarras em vez do violão, para ser propositalmente um CD de rock, pra cima. Andy me mandou nove musicas inéditas e eu escolhi uma delas para mexer, trocar a letra e melodia e assim ser presenteado com a parceria.

Apesar de ter o Rock como ponto de partida, no Motel Maravilha você vai do Rock ao Samba. O que quis mostrar com essa mistura de gêneros?

Foi a única composta há mais tempo. Eu, George Israel e Mauro Sta Cecilia tínhamos um núcleo de composição que era formado as segundas feiras. Gravamos várias nessa época em demos e escolhi a que o Ezequiel Neves mais gostava, pra gravar, virar titulo e sintetizar o clima eclético e festeiro do CD. Com naipe de metais, vocais, etc. Mas é um disco de rock mesmo. Só que escrevo de uma maneira bem variada, de assuntos sobre o mesmo tema só que com foco diferente, amores românticos, neuróticos, nervosos, loucos, apaixonados, com muita propriedade. E a música varia quando vou escrever a melodia. A mistura é espontânea no meu trabalho, sempre foi.

Este é o seu melhor trabalho? Sente-se mais confiante hoje?

Sim, sem duvida mais confiante, tanto nas letras, na voz, quanto no foco, no resultado final e no que pretendo com o disco. É o meu melhor trabalho mesmo. Cheguei no que eu queria chegar, nas letras, nos arranjos (com Nilo) e na voz.

O Rock in Rio está chegando e essa será a sua quarta participação no festival, sendo a segunda em carreira solo.  O que esse evento representa para você?

Tudo. Desde a memória afetiva das cinco edições, até a minha escalada solo tendo destaque na edição de 2011. Passei por tudo no festival. Em 85 como espectador, em 91 levando latas com Lobão, em 2001 fazendo um super show com o Barão e em 2011 detonando para 10.000 pessoas na Rock Street. O Rock voltou a ter lugar de destaque no cenário nacional. Fico honrado de participar em três dias esse ano. Dia 15 com Os Britos e dias 19 e 20 com meu show solo na Rock Street.

O clima, a sensação é diferente de tocar sozinho do que como integrante de uma banda? A responsabilidade aumenta?

Aumenta, claro! Sou centralizador e diretor de tudo o que acontece. Sou uma gravadora, terceirizo todos os departamentos, crio o direcionamento, marco shows, assino contratos, componho, faço os arranjos, sou responsável pela produção na estrada, pelo direcionamento dos shows, dos compromissos sozinho em rádios e tevês. Me relaciono como protagonista principal e se der certo ou errado, partiu de mim a decisão. E tento de ser o mais profissional possível em todos os setores. Além do que eu adoro cantar e nesse caso, canto as minhas canções ou as que eu julgo serem as melhores para meus pensamentos. Mas é diferente. O amor é o mesmo, por ambos os trabalhos. O profissionalismo e entrega são iguais.

Você fará show no Rock in Rio com Os Britos (15/9) e sozinho dia 20. Como serão as apresentações? Já foi definido o setlist? 

Já estou ensaiando com Os Britos e solo. Decido o meu setlist solo na hora, dependendo do publico. Nesse caso devo homenagear bandas inglesas também, já que a rua é britânica como tema. OS Britos farão o set Beatles Cavern Club. Meu solo (também dia 19) é mais eclético. Tocarei a musica AZUL também, que esta nas rádios. Muito Barão Vermelho também. Serão shows de ROCK. O setlist vai de Satisfaction a Pro Dia Nascer Feliz.

Em 2011 foi considerado um dos melhores shows do Rock Street. Se imagina tocando no Palco Mundo como frontman?

Claro, já cantei pra 70 mil pessoas na Praia de Copacabana. Gosto de desafios, de arenas grandes, de conduzir as massas e sou bom nisso. Ah se me dão um palco mundo nas mãos, ia fazer o melhor show do festival! Sem modéstia. Estamos muito azeitados, eu, Fernando e Kadu… Difícil um show tão amarrado como o nosso hoje. Me imagino no Sunset, no Mundo. Onde nos colocarem vamos detonar. E quanto mais lotado melhor.

O Ano tem sido de muita atividade para você, além de lançar novo disco, tocará no Rock in Rio, Mada… Tem mais novidade por aí?

O Mada vai ser legal, tocarei no mesmo dia que os Titãs. O programa da Xuxa q gravei pela primeira vez e vai ao ar dia 21/09 (dia do Mada) também foi bem bacana. Fui na Fátima Bernardes duas vezes esse ano. Estou adorando esse momento e foi o que batalhei nos últimos seis anos pra chegar. E estamos apenas começando, com a humildade e generosidade de sempre. Vem novidade esse ano. Vou cantar no DVD do Roberto Menescal. E ano que vem lançarei três discos com produção do próprio. Além disso, tenho mais oito inéditas em parceria com Andy Summers.

Como está o documentário da banda Front (banda dos anos 80 em que fez parte)?

Não demos inicio ainda, esta parado.

Existe a possibilidade do Barão Vermelho voltar a lançar algum trabalho novo?

Não existe essa possibilidade, apenas será lançado um documentário em 2014. A Banda voltou em 2012/2013, fez 25 shows e não precisamos parar nossas carreiras solo. Fizemos paralelamente e deu tudo certo.

Mudando de assunto. As drogas e o álcool derrubaram muitos músicos, o caso mais recente foi do Chorão, do Charlie Brown Jr. Você também teve problemas com o vício e conseguiu se reerguer, dando até palestras sobre o assunto. É difícil lidar com o sucesso e os altos e baixos da carreira?

Chorão, Champignon, Peu, Cássia… enfim, só tristeza com a droga. Ela mina sua energia do dia a dia para batalhar por tantos desafios profissionais e emocionais. Estou há oito anos limpo, coordenei numa clinica e não troco essa vida por nada mais. Minha família e meu trabalho são meu foco de vida e diversão hoje em dia. Faço palestras e falo abertamente, também para desmistificar o falso glamour disso no rock e para mostrar a gravidade dessa doença. FOCAR na determinação, em parar de se destruir.

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