Entrevista: Somba

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Criada em 1998, pelos então colegas de curso, Avelar Jr e Guilherme Castro, a banda Somba surgiu da vontade de seus fundadores em fazer ‘um som sem rótulos’, onde pudessem tocar de tudo sem restrição a apenas um estilo musical.

Ao longo desses 16 anos de estrada, a Somba lançou quatro discos, sendo eles Esquina dos Aflitos (2003), Cuma? (2007), Aos Vivos do Stonehenge (2010) e o mais recente, Homônimo (2014). Este último, que além das novas mídias virtuais e CD, a banda também produziu e distribuiu o trabalho em vinil.

Após algumas mudanças de integrantes durante sua história, a Somba atualmente é formada por Guilherme Castro (guitarra e voz), Avelar Jr. (baixo e voz), Léo Dias (bateria e voz) e André Mola (guitarra e voz).

Contrapondo o moderno ao antigo, ou seja, as novas técnicas de produção musical com a criação em equipamentos totalmente analógicos, Homônimo teve seu nascimento em um estúdio vintage. Produzido por Anderson Guerra, o disco apresenta letras com temas ligados ao tempo, dificuldades e alegrias vivenciadas pelos integrantes, em um som forte e swingado.

Guilherme Castro bateu um papo com a gente e contou mais sobre o novo trabalho, o processo de gravação, suas composições e novos projetos. Confira!

Qual a história de origem da Somba?

Bem, o SOMBA surgiu em 1998, na Escola de Música da UFMG, onde eu (Guilherme Castro) e Avelar éramos colegas no curso de composição. A gente estava ligado na cena local, onde já existiam o Cálix e o Cartoon. Mas a nossa vontade era fazer um som sem rótulos, onde pudéssemos tocar de tudo, de rock à música brasileira, passando pelas diversas influências musicais que temos. Daí surgiu a ideia de uma jam band, que pode trabalhar tudo isso, sempre com uma carga de improviso bem acentuada.

Por que optaram em fazer a gravação e produção do disco Homônimo em um estúdio vintage com equipamentos totalmente analógicos?

Por vários motivos: estávamos a fim de trabalhar pela primeira vez com um produtor musical coordenando a gravação. Assim, o profissional que escolhemos, Anderson Guerra, trabalhava com equipamentos vintage. Além do que, nossas influências musicais são todas referenciadas por essa sonoridade analógica, o que nos provocou uma vontade de ver como soaríamos dessa forma. Uma completa identificação com o estilo de gravação e com as sonoridades obtidas, que pra nós traz uma referência de maior qualidade, enfim, foram vários os motivos. Juntou-se a isso, o fato de eu estar terminando meu doutorado em música, na área de produção musical, pela UNICAMP. Isso permitiu uma pesquisa de campo a partir de nossa prática fonográfica, o que juntou o útil ao agradável: gravar um disco, intencionado para LP e estudar as melhores formas de realização fonográfica para nossas músicas. O resultado foi muito além de nossas expectativas.

O liquidificador de ideias do Somba é imprevisível e espetacular’. Como se dá o processo de composição das músicas e arranjos?

De várias formas. Às vezes, brincamos com algumas ideias em ensaio, e disso nascem nossas músicas coletivas, como “La Rica”, “Eu queria fazer”, “Cuma”, etc. Outras vezes, eu chego com uma ideia pré-gravada, uma espécie de pré-produção, para que tomemos contato com ela e que cada um possa contribuir nos arranjos. Assim que nos sentimos confortáveis com essas músicas novas, gravamos. Às vezes, pintam ideias incompletas, que só se completam em ensaio ou com as contribuições de todos.

Então, nos reunimos e pensamos quais músicas podem compor um novo trabalho e ensaiamos de maneira mais sistemática. Logicamente, em termos estéticos, o que pensamos são mais sobre nosso tempo, nossas dificuldades e nossas alegrias. Isso se reflete nas letras, que têm um elemento poético forte. Por elas fazemos nossos questionamentos, nossas zoadas e nossas propostas de pensar a vida e o mundo.

Apesar das músicas da banda estarem disponíveis em vários lugares virtuais e em CD, vocês produziram também vinil do disco Homônimo. Por que optaram por esse formato de mídia?

É uma mídia ainda importante, apreciada por diversos consumidores de música e que, durante muito tempo, ficou esquecida. Desde o começo, o álbum foi intencionado para ser lançado em vinil, até por coerência da proposta de gravação, já que estávamos produzindo de maneira analógica, nada mais natural do que lançar uma versão em LP, onde as coisas se amalgamam. Como já ouvi algum produtor dizer sobre o mercado hoje, ‘os artistas devem lançar de tudo, LP, CD, distribuição digital, streaming, e soltarem até uma versão gratuita, no Soundcloud ou similar’. Deve-se dar a quem queira a opção de poder escutar seu trabalho no formato que mais lhe agrada. Foi o que pensamos, no fim de tudo.

E por onde o Somba já andou?

Ao longo de nossa carreira, já fizemos vários shows bacanas e importantes, abrindo pra artistas de maior renome, como Cássia Eller, Toninho Horta, Los Hermanos, 14 Bis, Baby do Brasil, etc. Também tivemos a oportunidade de participar de belíssimas experiências em Festivais, como o SXSW no Texas-EUA, o Psicodália em Santa Catarina, o Formiga Sônica em Formiga, diversos Festivais Camping Rock, etc. E outra das grandes experiências que tivemos foi quando formamos a Orquestra Mineira de Rock, junto com as bandas Cálix e Cartoon, com bastante sucesso de público e crítica, em shows memoráveis onde tocávamos todos juntos, em um final apoteótico. Podemos dizer que fizemos bastantes coisas legais e rodamos muito ao longo de todos esses anos.

Quais os próximos passos da banda?

Atualmente estamos planejando lançar um material em vídeo, oriundo do show de lançamento do álbum ‘Homônimo’, gravado no Teatro Francisco Nunes. Talvez a gente lance em DVD. Temos um videoclipe pronto para ser lançado, produzido pelo videoartista Henrique Roscoe. Estamos trabalhando também em um novo single, com quatro músicas. E em termos de shows, estamos procurando focar mais em festivais alternativos, como Acid Rock, Pira Rural, Psicodália, Morrostock, Camping Rock, etc. Temos a intenção de rodar mais um pouco com o show Homônimo, que afinal, ficou bem bonito.

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