Entrevista: T.R.U.E.

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Enquanto o novo álbum não chega, o cantor e compositor, Qinho, está desenvolvendo um projeto, chamado T.R.U.E., ao lado do tecladista e diretor musical dos shows do Ímpar, Guilherme Marques, que envolve produção musical e apresentações ao vivo com diferentes colaboradores.

O projeto surgiu da necessidade e vontade do duo em explorar as nuances, elementos e complexidades da música e assim obter todas as sonoridades possíveis. De forma original, despretensiosa e sem formato pré definido, os músicos vem ampliando em muito as possibilidades criativas dos seus trabalhos.

A iniciativa já vem rendendo frutos, além de terem trabalhado no mais recente disco de Fernanda Abreu, a dupla acabou de lançar duas faixas autorais, que mostram bem a proposta de projeto. Além disso, estão envolvidos na série QINHO canta Marina Lima, nos preparativos dos shows e produções de outros artistas.

Essa nova experimentação e o seu desenvolvimento foi pauta de um bate-papo com o Qinho e Marques. Leia, ouça, conheça o T.R.U.E.

O T.R.U.E. segue uma linha experimental, eletrônica, onde o foco é mais na sonoridade/instrumental diferente do trabalho do Qinho. A ideia é dissociar?

Nossa ideia não é dissociar, é agregar. Na verdade o conceito é mais de mão-dupla. O T.R.U.E. tem um viés experimental onde podemos seguir qualquer caminho sem muita preocupação. Esse processo funciona como uma pesquisa que depois será revertida em linguagem estética, tanto para o trabalho solo do Qinho quanto para futuras produções.

Duas faixas foram lançadas recentemente. Poderiam falar sobre cada uma delas?

Logo depois de produzirmos a faixa “O Que Ficou” para o disco novo da Fernanda Abreu, nos apresentamos em duo de forma improvisada, sem ensaios, somente com os nossos aparatos eletrônicos. Nessa jam começamos a experimentar as ideias que culminaram na criação dessas duas faixas. Os sintetizadores, vozes processadas, beats e linhas de baixo synth foram os elementos chave para o que desenvolvemos posteriormente em estúdio.

Porno Love foi a primeira faixa em que colocamos as mãos a fim de unir essas ideias soltas que rolaram na apresentação. Partimos de um ambiente harmônico e polirrítmico que apontou a forma, os outros elementos surgiram preenchendo as lacunas. O motivo melódico foi criado em cima de fraseados de piano, que depois viraram vozes processadas. BQVC, que também colaborou na música da Fernanda Abreu, trouxe o peso dos subgraves e da bassmusic. O resultado, para nós, é uma atmosfera docemente romântica, mas que serve como paisagem para uma bela trepada (risos).

Propina Beat já parte de um bass synth mais maldoso, sugerindo uma ideia de novela policial. Esse ambiente meio mafioso nos remeteu diretamente ao contexto político atual do Brasil. Os protagonistas são óbvios, apesar da dificuldade de selecioná-los dada a quantidade de integrantes da quadrilha (risos). A condução do shuffle-trap cria a linearidade rítmica e ambienta esse cenário quase visual que tentamos criar.

No incio do projeto a intenção era ter diferentes colaboradores a cada novo trabalho ou show. As próximas faixas terão participações? Quanto a apresentações já tem alguma prevista?

Olha, pensamos em convidar o Kendrick, mas… (risos). Na verdade a gente pensa muito na troca com os nossos pares de cena musical. Existem muitos talentos na mesma posição que a nossa e queremos, enquanto projeto, fortalecer os trabalhos que nos permeiam e nos influenciam no dia a dia da labuta na música.

No momento estamos montando o formato live. Não é fácil, principalmente porque não queremos cair numa proposta “DJ”. Buscamos ter a liberdade de poder modificar e improvisar mais livremente durante a execução das músicas. Qual a graça de você ir num show e ouvir exatamente a mesma faixa que você pode ouvir em casa? Acreditamos na criação espontânea e nesse componente mais orgânico na relação artista-público.

Pretendem lançar um EP ou disco cheio?

Não temos pretensões…(risos)

Como mencionaram, o T.R.U.E. produziu uma faixa do novo disco da Fernanda Abreu. Poderiam falar melhor sobre a música? Já tem outros projetos de produção engatilhados e que possam revelar?

A Fernanda assistiu o lançamento do ÍMPAR (último disco do Qinho) e parece que gostou (risos). Algum tempo depois nos convidou para produzir uma música para o que viria a ser seu novo álbum, Amor Geral. Durante o processo, sentimos que ela buscava exatamente a vibe da sonoridade que desenvolvemos para o show. A partir daí foi bastante intuitivo. Encontramos algumas vezes, modificamos poucas coisas da idéia inicial e a track saiu do forno em pouco tempo. O Que Ficou aponta explicitamente para as nossas duas faixas autorais, tanto pelas semelhanças timbrísticas quanto pela forma do arranjo, como a parte especial no meio, etc.

Atualmente o T.R.U.E. trabalha no projeto QINHO canta Marina Lima. Recentemente abrimos o Festival Música Livre, curado pelo Lucas Fagundes, um cara visionário para a cena da música independente no interior do estado do RJ. Também acabamos de gravar o programa Versões do Canal Bis/Multishow. Fora (Temer) isso, já estamos começando a pensar no novo disco do Qinho…

Falando em produção. O foco no momento está apenas no projeto ou você já está compondo/ produzindo o seu novo trabalho como cantor? Pode adiantar alguma novidade?

A novidade é o próprio T.R.U.E. (risos). Como dissemos acima, ele é o espaço de desenvolvimento para o próximo disco do Qinho. Temos algumas ideias, algumas possíveis colaborações tanto com músicos/produtores da nossa cena quanto com alguns de fora do Rio. Mas o processo ainda é embrionário, estamos priorizando o tempo de maturação do conceito do disco. Vamos começar em breve a escolher o repertório e a partir daí é entrar no Frigideira (o estúdio do Gui, base de produção do T.R.U.E.) e botar a mão na massa!

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