Entrevista: Xutos & Pontapés

278
0
COMPARTILHAR:

Com um pouco mais de 30 anos de carreira, os Xutos & Pontapés se mantém no topo do Rock português. Formada por Tim (baixo evoz), Zé Pedro (guitarra) Kalú (bateria e vocais de apoio) João Cabeleira (guitarra solo) e Gui (saxofone e vocais de apoio), a banda arrasta multidões em seus shows e continua conquistando novos públicos. O quinteto já lançou 13 discos, o último deles O Cerco Continua (2012), uma regravação do álbum editado em 1985, mas com uma nova roupagem e com uma versão da música “Vossa Excelência”, dos Titãs.

Alias a estreita relação com a banda brasileira levou a uma das mais comentadas apresentações do Rock in Rio 2011. Xutos e Titãs tocaram juntos no mesmo palco (Palco Sunset), no último dia do festival. No repertório, sucessos dos Xutos como “Dados Viciados”,”Não Sou o Único”, “Minha Casinha”, “Minha Maneira” e “Flores”, “Cabeça Dinossauro”, “Diversão”, “Porrada” dos Titãs. Durante as 16 músicas, as duas bandas pareciam uma só e essa sintonia foi percebida pelo público que se deixou levar pela vibração. O memorável show acabou virando um DVD que em Portugal foi lançado em Junho e no Brasil chega às lojas em agosto, pela MzaMusic. O encontro foi repetido na versão portuguesa do Rock in Rio esse ano.

Leia a seguir a entrevista que o Som do Som fez com o guitarrista dos Xutos, Zé Pedro.

Esse ano vocês lançaram o disco ”O Cerco Continua” com músicas antigas, mas com uma nova roupagem. A ideia foi apresentar os sucessos dos Xutos para os jovens ou o som da banda que está diferente hoje?

Decidimos tocar esse disco, editado em 1985, pois achamos que infelizmente, as letras hoje em dia fazem todo o sentido. Algumas das seis músicas desse disco são grandes sucessos na carreira dos Xutos.

 A música “Vossa Excelência” dos Titãs foi incluída no novo CD. Por que a escolha dessa música? Como foi a receptividade dos portugueses?

 Ao longo da nossa carreira, nunca deixamos de falar de problemas sociais, e por várias vezes, as nossas letras criaram embaraços políticos, e foram usadas com vozes de descontentamento. Quando tocamos com os Titãs escolhemos esse tema por falar de um assunto que infelizmente é sempre atual. A receptividade dos portugueses foi e tem sido excelente. Toda a gente berra contra os corruptos.

Com tantos discos lançados. Tem como destacar algum álbum ou música?

Um dos meus álbuns preferidos dos Xutos é o último, chamado Xutos&Pontapés, editado em 2009. A música que mais identifica osXutos acho que é “Remar Remar”, editado em 1985, pois fala da força que temos que ter para alcançar os nossos sonhos.

Como você analisa os Xutos e o Rock português ao longo desses 33 anos de carreira?

Em Portugal a indústria discográfica, além de ser muito fraca, vive de repertório estrangeiro. As bandas e artistas nacionais fazem milagres com as suas carreiras. A qualidade é muito boa em muitas áreas e a música moderna tem grandes valores. Existem alguns artista que conseguem ter carreiras bem longas.

Vocês devem servir de inspiração para muitos que estão começando. Que bandas da nova geração apontaria como destaque hoje em Portugal?

Quanto ao meu gosto musical, destaco os Ladrões do Tempo, banda onde também toco e que está iniciando carreira. Capitão Fausto, banda muito nova, que editou agora o primeiro álbum, Os Pontos Negros, que embora novos de idade, já vão para seu terceiro disco. Linda Martini, uma banda alternativa, muito querida do undergroud. Wraygunn, uma banda já com alguns anos, ecom saída em França por exemplo. Buraka Som Systema, com carreira internacional. Moonspell, do metal e com grande carreira pelo mundo. São alguns exemplos que admiro muito.

Muitos questionam que a música portuguesa não teria a mesma abertura que a brasileira tem em Portugal. Você concorda? Como é a relação de vocês com o público brasileiro?

 A música brasileira apareceu para nós portugueses muito cedo, cresci ouvindo Caetano, Chico ou Milton, o que torna normal a ligação com os brasileiros. Também acho normal os investidores portugueses e brasileiros terem interesse em trazer artistas brasileiros para virem tocar a Portugal. Claro que a MPB,é um negócio maior do que o rock ou novas propostas. Em relação ás bandas portuguesas no Brasil, o canal está mais fechado, mas tende a abrir um pouco. Se as entidades portuguesas ajudassem, talvez as coisas ficassem mais fáceis. Os Xutos são muito bem recebidos no Brasil, mas não podemos estar aí fazendo turnês epromoção, portanto, não temos carreira brasileira. Em 1988 tocamos em São Paulo e Rio (Canecão e Circo Voador). Em 1990, gravamos um disco nos Nas Nuvens, estúdio no Rio de Janeiro, tocamos com os IRA em São Paulo e em 2004 estivemos no Festival do Ceará Musica.

O show do Xutos com os Titãs no Rock in Rio no ano passado foi um dos mais comentado, não é a toa que esse encontro foi transformado em DVD. Como foi essa experiência? Foi a primeira vez que tocaram juntos?

Os Titãs já tinham estado em Portugal em 1988, na altura do Go Back, fazendo concertos com Os Xutos. Os Titãs gravaram um tema nosso “Circo de Feras” num dos seus álbuns. Quando Tony Belloto esteve em Portugal lançando um livro, estivemos juntos. Sempre admirei muito os Titãs, temos a mesma linguagem, o mesmo estilo, a mesma atitude do rock ‘n´roll. Foi o então produtor Paulo Junqueiro, quem alimentou este contato entre os Xutos&Titãs, que deu num DVD, aqui em Portugal foi lançado em Junho.

E como foi repetir a dose no Rock in Rio Lisboa? Além de tocar em casa, o que teve de diferente?

O repertório foi praticamente o mesmo. Aqui quem iniciou o concerto, fomos nós, e pouco foi a diferença nas canções tocadas. A grande atração foi o convidado especial Andreas  Kisser do Sepultura, que participou de três músicas, uma dos Xutos e duas dos Titãs, foi brutal, tocar cinco guitarras no show, foi grandioso

Além do DVD existe algum outro projeto entre as bandas? Possibilidade de uma turnê ou show novamente no Brasil?

Por agora, tanto os nossos responsáveis como os dos Titãs, estão fazendo tudo para que o próximo passo seja uma tour com esta verdadeira banda luso-brasileira. Se for possível veremos como seguir em frente.

Tem alguma outra banda ou artista brasileiro que gostariam de tocar juntos?

 Acho que se for possível com os Titãs é para valer e não vale a pena confundir as coisas. Tem alguns artistas brasileiros que conheço. O Frejat, gosto muito dele e tivemos grandes momentos juntos. O Serginho dos Ultrage a Rigor, foi nos visitar quando estávamos gravando no Rio, e mais alguns que tive a honra de ter mais contato, como o Andeas, que conheci na casa da Malu e do Belloto, e é uma pessoa muito boa, para além de grande guitarrista.

Com uma trajetória de sucesso e uma carreira sólida. Como você enxerga o futuro da banda?

 O futuro está sempre a surpreender quando estamos abertos ao que ele tem para nos dar.

 

COMPARTILHAR:

Comentários no Facebook