Exclusivo: Demerara lança “Pedra e Papelão”

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A banda Demerara nasceu como um duo, virou um grupo e agora volta as origens com lançamento do seu novo single “Pedra e Papelão”. A faixa, que acabou de se disponibilizada nas plataformas digitais, pode ser escutada em primeira mão aqui no Som do Som.

Influenciados pelos americanos americanos Simon & Garfunkel e os mineiros Pena Branca & Xavantinho, os amigos do tempo de escola em Jales – interior de São Paulo –  Felipe Delatorre e Neto Ferreira apostam no folk-rock com uma boa dose de música popular brasileira caipira. Essa mistura esta presente na canção, que apresenta a nova fase do duo e antecipa o seu primeiro disco.

Radicados na capital paulista, o duo conversou com exclusividade com o Som do Som sobre este lançamento e as mudanças na trajetória da Demerara. Ouça o single e conheça um pouco mais desta dupla que você precisa acompanhar.

A letra de “Pedra e Papelão” fala de mudanças e também sobre estar aberto a elas. A escolha da música tem alguma relação com esta nova fase da Demerara?

A escolha da canção não tem relação direta com o fato de voltarmos a ser um duo. Na verdade, a princípio, a mudança contida na letra é bastante literal e faz referência ao deslocamento espacial que é necessário para podermos seguir o curso da vida, os planos traçados, e ao desapego material muitas vezes exigido nessas horas. A letra foi escrita justamente no momento em que nos mudávamos, deixando para trás o concreto, as coisas duras e vazias da velha morada e levando conosco as lembranças dos momentos vividos ali ao lado de amigos e familiares bem como tudo aquilo de novo que nasceu naquele espaço para poder ser vivido em outros lugares.

Essa mudança interferiu de alguma forma no som banda?

Se ainda estamos falando da mudança de formação no projeto, pode-se dizer que sim, uma vez que cada músico imprime sua própria personalidade durante as gravações e isso sempre interfere em alguma medida no resultado final, porém ao voltarmos à formação em duo estamos apenas buscando a essência do que planejávamos para o Demerara inicialmente. Se falarmos da mudança abordada, a princípio, na letra, achamos que pelo fato do processo de composição ser sempre muito íntimo e delicado, toda mudança pode interferir de alguma forma na música que fazemos.

Falando em sonoridade. O trabalho de vocês  mistura o  folk-rock com elementos da música caipira. De onde vem essa referência?

Além de nos interessarmos muito pela sonoridade e estética daquilo que podemos denominar música folk, seja pela presença dos sons acústicos ou pelo destaque para as linhas vocais e a poesia, temos profunda admiração pela manifestação da cultura popular contida por vezes nessa música e sua força, que atravessa gerações, carrega a identidade de um povo e, além disso, tem o poder de interferir diretamente em sua própria realidade, servindo de veículo para manifestações diversas e potencialmente transformadoras. Entendemos a música caipira como parte muito importante da cultura popular brasileira e do folclore brasileiro. Sendo assim, ela ocupa um lugar de muito respeito, para nós, dentro do que se entende como folk brasileiro. Há alguns anos, pudemos nos aproximar verdadeiramente dessa música, que sempre se fez presente em nossas vidas, acompanhando-nos muitas vezes como trilha sonora da infância no interior paulista, mas injustamente ignorada por nossos ouvidos ainda distraídos ou despreparados. A dupla mais importante e, sem dúvida, a mais influente para o Demerara é Pena Branca e Xavantinho. Foram eles que mais nos sensibilizaram e foi através deles que tivemos a oportunidade de voltar os olhos para outros grandes artistas desse meio.

 Foto: Julia Fiorili

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