Faixa a faixa: Aloizio comenta ‘Esquina do Mundo’

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O brasiliense radicado em São Paulo, Aloizio acaba de lançar o seu primeiro disco, Esquina do Mundo. Gravado em três cidades diferentes – Rio de Janeiro, Los Angeles e Nova Iorque – através de um projeto bem-sucedido de crowdfunding, o álbum tem a produção de Felipe Fernandes (Baleia, Iara Rennó, Caetano Veloso).

O disco é  uma coleção sonora de experiências vividas e adquiridas ao logo dos anos, assim como as letras que refletem as suas fases e momentos. A mudança para outro estado, a espiritualidade, relação amorosa, frustrações e ausência de ego são alguns dos temas abordados.

Lançado em CD e fita K7, à venda nos shows, Esquina do Mundo está disponível também nos principais serviços de streaming: Spotify, Deezer, Rdio e iTunes.

Abaixo, Aloizio conta detalhes sobre cada uma das 10 músicas do trabalho. Ouça as canções e leia os seus comentários!

1. Mudado

“Essa música sintetiza todo o processo de mudança que eu passei na minha vida artística. Falo dos sonhos de infância, da briga de egos e de que mesmo sabendo que é muito difícil ser um artista, é isso que preciso pra minha vida e só assim eu vou conseguir viver. Na questão sonora, ela representa muito bem todo o disco. O formato cru, as batidas brasileiras e as guitarras viajando por todos os lados. Aqui o menino sonha”.


2. Baile das Ondas

“Me reconectei com o mundo espiritual através do mar e de Iemanjá e essa é meu canto para ela. Eu passei um bom tempo distante da espiritualidade e com o pé muito no chão. Tava sentindo falta de me conectar com algo menos mundano e o mar sempre representou algo ”maior” pra mim. Você ficar sozinho de frente a toda aquela imensidão…se sentindo pequeno. Tudo surgiu de forma natural nessa música, inclusive o arranjo. A versão que eu toquei pela primeira vez com Pedro (baixo) e o Samyr (bateria) num ensaio e a versão que foi final do disco é a mesma. Inclusive a letra. Aqui o menino espiritualiza”.


3. Coleção

“Essa música na pré-produção era só um rascunho e acabou se tornando a música mais completa do disco. Cada pessoa que passou pela minha ”Esquina” contribuiu de alguma forma para essa música. Você consegue ouvir a banda, a percussão, a flauta genial do Zé Luis e a letra, tudo no seu lugar certinho, construindo a ideia de ”Coleção”. Nessa música, o Felipe (produtor) mostrou porque é um gênio. A letra fala sobre estar consciente de que a vida é 50/50. Colecionamos momentos bons e ruins pra moldar nossa personalidade e tudo tudo tudo faz parte desse molde. É bom estar consciente que os momentos ruins são os que realmente nos transformam. Aqui o menino constata”.


4. Dorme a Cidade

“Mudei pra São Paulo em 2011 e o impacto da cidade em mim foi gigante. Era absolutamente tudo diferente de Brasília. As pessoas, as ruas, as comidas, os assuntos…eu demorei bastante pra me adaptar, mas nunca achei ruim estar aqui. Um dia eu tava meio atônito por causa de alguma coisa e no caminho de volta pra casa eu resolvi puxar assunto com um morador de rua. Perguntei se ele estava bem e ele disse que estava ÓTIMO. Perguntei se ele precisava de algo e ele disse que não precisava de NADA. Eu fiquei consternado. Eu ali com um apartamento alugado, com banheiro, cozinha, sofá e tava puto da vida e o cara morando no asfalta tava ÓTIMO. Eu passei a noite inteira pensando sobre os valores da vida e acabei escrevendo essa música enquanto pensava sobre como São Paulo estava me transformando. Como é bom se perder pra se encontrar. Aqui o menino muda”.


5. Perfeição

“Em uma das minhas idas a Brasília eu – não mais que de repente – entendi a cidade. Brasília foi uma cidade planejada e a forma que ela foi construída influencia totalmente a forma como a gente vive e lida com tudo ao nosso redor. As coisas são distantes uma das outras, a cidade tem muitos espaços vazios e poucas distrações. Isso faz com que você tente completar estes espaços de alguma forma. Por isso tantos artistas, tantos poetas e tanta inspiração. O espaço que podia ser um vazio, se transforma em uma oportunidade de preencher da sua forma. Percebi então que a cidade que eu tinha deixado, era perfeita, por conta dos seus habitantes, que fazem nascer inspiração em qualquer mistura de concreto e céu. Aqui o menino entende”.


6. Pode Vir

“Esse é o único romance do disco. É sempre um desafio começar um novo relacionamento e ter coragem de amar de novo. A gente sempre acha que aquele último amor foi o grande momento da sua vida e que nunca terão dias melhores. Mas sempre vai ter gente querendo amar e ser amado. #sejoga. hahaha. Aqui o menino acredita”.


7. Me Movo

“Me Movo, “Barco Vazio” e “O Mito do Herói” são faixas em que eu me volto pra dentro. Vou lá no fundo pra descobrir o melhor e o pior de mim. Aqui eu falo sobre essa agonia que a gente sente no peito quando não consegue ser ouvido. Quando você quer ajudar alguém e essa pessoa simplesmente não quer sua ajuda ou o seu amor. Você se sente invisível e morto. Acho que todo mundo vive isso em algum momento da vida. Não conseguir dar o amor que queremos dói muito mais do que não receber amor. Aqui o menino grita”.


8. Barco Vazio

“Essa música é sobre ausência do ego e por isso dei o mesmo nome de um livro do Osho que fala sobre isso. Por mais que as vezes que você queira gritar por socorro, é só você que consegue movimentar seu corpo e sua vida. Aqui o menino fecha os olhos”.


9. O Mito do Herói

“Meus pais sofreram muito quando eu saí de casa. Sempre fomos muito apegados e eles sempre me apoiaram em tudo. Quando fiquei longe, eu me cobrei muito em ”dar certo” e sofria muito com isso. Eu comecei a esquecer o motivo real das coisas, porque eu tava muito preocupado em ”dar certo”. Mas o que é dar certo? O Jack White disse outro dia que está frustrado. Eu tenho vários amigos em carreiras brilhantes que ficam constantemente falando sobre a vontade de mudar e fazer outra coisa. Então, comecei a perceber que dar certo é estar em movimento. Mudar. E para isso eu só preciso continuar vivendo intensamente e fazer as coisas que amo. Não preciso voltar com medalhas, não preciso voltar pra casa sendo um herói. Herói é o morador de rua de ‘Dorme a Cidade’ que não tinha nada e tava ótimo. Aqui o menino chora”.


10. Versos do Acaso no Infinito do Verão

“Se tem uma coisa que eu gosto de fazer na vida é espalhar coisas boas. E essa foi a primeira música que eu fiz depois do fim do Lafusa. Ela sintetiza o que meu grande objetivo: espalhar mais amor pra todo mundo. E depois de uma viagem densa de mudanças que a gente vive ao longo do disco, nada melhor que terminar explodindo amor pra todo lado e tendo certeza que quando faltar tudo, amor, ainda vai ter. Voltei a gostar mais ainda dessa música depois de assistir o filme Interstellar do Nolan. O mundo acabando, mas o amor tá lá, ultrapassando universos e dimensões. Soa piegas, mas foda-se, é lindo. Aqui o menino ama”.

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