Faixa a Faixa: Ordinarius comenta ‘Rio de Choro’

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Destaque nas redes sociais por sua criatividade e harmonia, o grupo vocal Ordinarius lança de forma independente o álbum Rio de Choro, o segundo na carreira do sexteto. O disco foi realizado graças ao financiamento de centenas de fãs e o show de lançamento será na terça-feira, 11 de agosto, às 19h, no auditório do Centro Cultural Justiça Federal, no Centro do Rio.

André Miranda, Augusto Ordine, Leticia Carvalho, Luiza Sales, Maíra Martins e Marcelo Saboya colocam as suas vozes em um repertório que passa por clássicos e por novidades dentro deste universo, cantando de Pixinguinha e Zequinha de Abreu a Edu Neves e Rogério Caetano, e passando por Zé Miguel Wisnik, Villa-Lobos e Carlinhos Brown. A direção musical é de Augusto Ordine e os arranjos, todos inéditos, brincam com as possibilidades vocais para um repertório acostumado ao instrumental.

A banda comentou cada uma das faixas e os seus respectivos clipes. Leia, assista e ouça!!

1. “André de sapato novo” (André Correa) / “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu)

Os dois choros se unem neste arranjo, que prima pelo uso da voz como instrumento versátil em melodias que exigem fôlego e grande extensão vocal por parte dos cantores. O disco abre mostrando a sua cara: o uso da voz como instrumento de forma ousada através de uma linguagem genuinamente brasileira. O vídeo desta música é um registro caseiro e divertido do estúdio, no qual os cantores aparecem ensaiando ao som da música.

2. “Baião de quatro toques” (José Miguel Wisnik e Luiz Tatit) / “Brasileirinho” (Waldir Azevedo)

A primeira música brinca com o fato de ser inspirada em uma sinfonia de Beethoven, abrasileirando-a até se tornar um baião com cara de choro. Já o choro de Waldir Azevedo entra como uma citação que serve para tornar ainda mais malemolente a parceria de Wisnik e Tatit, dando um ar de clássico ao arranjo, que é interpretado com ares de brincadeira em uma melodia repleta de sutilezas.

Esta música, que foi inserida no repertório do grupo por conta de uma viagem para a Alemanha, é utilizada em um vídeo onde imagens da viagem do grupo dão caldo para um clipe simpático que conta com uma edição esperta e artística.

3. “Um chorinho em Cochabamba” (Rogério Caetano e Edu Neves)

O único choro contemporâneo do repertório é um tema do flautista e saxofonista Edu Neves e do violonista Rogério Caetano, ambos músicos atuantes no Rio de Janeiro. A melodia pensada instrumentalmente foi adaptada para a voz, com uma letra inventada que surpreendeu os próprios compositores. O arranjo tem uma levada em ritmo de salsa. No clipe do sexteto, eles “cantarolam” a música dentro da Kombi vintage que aparece na capa do CD.

4. “Linda Flor” (Henrique Vogeler e Luiz Peixoto)

Esta composição de 1928, considerada por alguns como o primeiro samba-canção a ser gravado, recebeu letras variadas e interpretações diversas de Vicente Celestino, Elis Regina, Gal Costa, entre outros. A versão do sexteto é singela e suave, com direito a citação do Take Six no final da música, detalhe que só os fãs do grupo americano entenderão.

5. “Rosa” (Pixinguinha)

Já este clássico do choro ganha roupagem “ordinária” no único arranjo totalmente a cappella do CD e, talvez, o mais sofisticado deles. A faixa exige atenção e sensibilidade do ouvinte para apreciar a execução do grupo em todas as suas camadas.

O clipe desta música foi gravado em um teatro onde o sexteto se apresentou recentemente, momentos antes do show. A simplicidade do vídeo, que conta apenas com uma luz parada e o grupo cantando sentado no chão do palco, conquistou o público, se tornando um dos vídeos mais vistos dos Ordinarius.

6. “Tipo Zero” (Noel Rosa)

O samba de Noel ganha interpretação bem-humorada do grupo, na única faixa que conta com o acompanhamento de cavaquinho e de kazoo, instrumento de sopro que faz qualquer linha melódica soar divertida.

O clipe desta música foi gravado ao vivo em um show no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, durante o projeto 100 em um dia, no qual diversos artistas realizavam shows em pontos variados da cidade.

7. “Choros 1” (Heitor Villa-Lobos)

Esta composição de Villa-Lobos foi originalmente escrita para solo de violão, numa tentativa dele – bem-sucedida, aliás – de inserir o choro, então restrito ao universo de música popular, no campo da música erudita. O Choro 1 apresenta alto grau de dificuldade técnica e suas qualidades melodiosas foram traduzidas pelos cantores num idioma inventado, já que não há letras no original. Além disso, na gravação, o grupo é acompanhado por uma bateria de bloco de carnaval – toda executada pelo músico Mateus Xavier, mestre de bateria dos blocos Sargento Pimenta e Pipoca e Guaraná.

O clipe desta já está sendo programado e contará com uma participação super especial.

8. “Santa Morena” (Jacob do Bandolim)

Este choro espanholado ganha um arranjo capaz de traduzir em vozes toda a sutileza e versatilidade do bandolim de Jacob junto com a rítmica riquíssima do gênero flamenco.

No clipe da música, uma dançarina contemporânea se move ao som da música, em uma edição repleta de silêncios e poesia. Os cantores e o percussionista surgem modificando a cor e o sentido das imagens, em um efeito a la “Mágico de Oz”.

9. “Vide Gal” (Carlinhos Brown)

Lançada por Marisa Monte em um vídeo nos anos 90 e gravada posteriormente por Daniela Mercury, essa música de Brown ganha arranjo inusitado do grupo, tomado por uma batida funk que a torna mais carioca do que nunca, de uma forma bastante original e atual.

No clipe, o sexteto canta e dança no alto de uma torre de um castelo em Santa Teresa, e imagens do Rio são intercaladas com as do grupo criando um retrato da Cidade Maravilhosa produzido especialmente para o aniversário de 450 anos da cidade.

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