Faixa a Faixa: Limusine Carioca comenta ‘Bombardeio’

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Depois de sete anos de carreira, a banda Limusine Carioca lança o seu primeiro álbum, Bombardeio.Com oito faixas inéditas e quase todas autorais, o disco traz uma produção caprichada e divertida, valorizando uma mistura sonora que passa pelo MPB, blues e rock psicodélico.

O comportamento e a natureza humana são matéria-prima para as letras ácidas e provocativas do álbum, que também conta com a instrumental “Mr. Severin Blues“. Se de um lado Vini e Pedro garantem o groove, a Limusine Carioca abusa das guitarras em duetos marcantes promovidos por Rafael e Nando. O novo trabalho conta com a  participação especial da cantora Stella Maiques (O Padre dos Balões) nas canções “Amassadinho” e “Bombardeio”.

A banda contou detalhes sobre cada uma das oito músicas do disco, que está disponível para audição nas principais plataforma de streaming e para download gratuito. Ouça as canções e leia todos os comentários!

 

1. “A Limusine Vai Chegar”

“Uma música feita por pura diversão. Rafael estava bebendo na Lapa um belo dia e viu a rapaziada da Dominga Petrona tocando um gypsy jazz muito bacana. No dia seguinte nasceu um jazz pra frente, bem anos 50, só que renovado, com guitarras altas e a bateria muito presente. A letra conta a história fictícia de um rapaz que queria ir para Nova Orleans (berço do jazz americano) e por falta de dinheiro só conseguiu chegar a Quintino. Era praticamente obrigatório que A.L.V.C. tivesse naipe de metais, e os nossos amigos convidados Pedro Sucupira (sax tenor), Reubem Neto (sax alto) e Thiago Garcia (trompete) acrescentaram muito a essa sensação de Rio dos anos 50”.


2. “Amassadinho”

“É um rock n’ roll bem divertido, pra frente. A letra é uma espécie de crônica mas não se baseia em fatos. Conta a história de um rapaz que sai para beber, se arruma com uma menina que o leva de volta para casa no carro dele, pois ele estava muito bêbado. No caminho, ela acaba amassando o carro, que era a maior alegria do rapaz. A letra mostra ele, sem se lembrar de nada, descobrindo o que aconteceu na noite anterior. A queridíssima cantora Stella Maiques (O Padre dos Balões) divide os vocais com o Rafael e dá um toque a mais de humor à música. A participação dela nessas gravações gerou outras parcerias maneiríssimas, a Stella também é VJ e faz video mapping com projeções ao vivo no nosso show”.


3. “Vai e Volta”

“Uma balada de amor. É uma música que fala das expectativas e das ansiedades que envolvem um término, e depois uma volta. E o mesmo processo novamente. Como tudo em “Bombardeio”, ela foi gravada ao vivo, mas tem uma classe diferente, um feeling diferente. A sonoridade em si emociona, as melodias, os silêncios. A gente ficou muito feliz com o que a gente depositou nela e com o resultado final”.


4. “Bombardeio”

“Mais uma vez a gente contou com a participação da Stella Maiques. “Bombardeio” tem uma letra de amor com metáforas pra espiritualidade, guerra e o capitalismo (sic). Foi uma grande surpresa durante as gravações. Era pra ser aquela balada-blues que entrega a nossa paixão por Charlie Parker e a música negra americana dos anos 40 e 50. Aquela que a gente não podia deixar de ter no nosso disco de estreia, mas que a gente não via como o carro-chefe e também não imaginava que daria nome ao projeto. Acontece que a gente resolveu fazer uns overdubs, gravar mais uma guitarra aqui e ali, e quando a sessão terminou e a gente ouviu aquilo, mudou a coisa toda. A primeira impressão foi de um encanto perturbador, com toda força que a música alcançou e a surpresa que ela foi pra todo mundo”.


5. “Chama os Estrangero”

“Um soco na mente! “Chama Os Estrangero” é declaradamente uma música de protesto. Um grito. Guitarras gritando e o suingue berrando. É direcionada a autoridades ordinárias, quadrilhas de paspalhões de terno. Suas gastanças, sua censura armada, sua covardia. Um artista não precisa se posicionar, mas a gente não faz música com um olho no instrumento e o outro na consequência, a gente faz música com o coração, e o nosso coração não engole mais bomba de efeito moral”.


6. “Mr. Severin Blues”

“Falar de “Mr. Severin Blues” é falar bastante da história da Limusine Carioca. Essa música não é nossa. O Rafael tocava no Mr. Severin, que tinha esse blues no repertório dos shows. Nessa mesma época, ele começou a escrever músicas com o Nando, que chegou a participar de algumas apresentações da banda. Mais tarde, já na Limusine Carioca, a gente levou a música pro nosso próprio repertório e, quando decidiu incluir em “Bombardeio”, a gente foi pedir pro André [Falcão Correia Lima], nosso amigo e o autor da música, e ele ficou muito feliz com a notícia. Sem dúvida, “Mr. Severin Blues” estar no nosso disco de estreia é uma completa reverência às nossas origens”.


7. “Ultrapassagem”

“É uma das faixas mais pesadas, mas com uma letra menos ferina, digamos assim. Retrata a iniciativa de mudar, seguir o coração e compartilhar os caminhos. Sem qualquer instrumento, num sopro de inspiração, toda a harmonia foi escrita usando um software desses que simula uma banda completa em faixas midi. De certa forma esse processo teve tudo a ver com a canção, que defende a procura pelo novo. A vanguarda só existe além da teoria”.


8. “A Gata e O Rato”

“Teve um momento que a gente precisou pensar e decidir a ordem das 8 músicas do álbum, e a gente escutou o disco em ordens diferentes, experimentando a sensação de ouvir ele inteiro, do jeito que a gente gosta de fazer com os discos dos outros. E “A Gata E O Rato” foi unanimidade, é uma bela música pra se fechar um álbum. Ela começou a nascer embaixo de um viaduto, o Nando escreveu a letra e a melodia lá, em alguma manhã de algum verão recente. É sobre uma pessoa que trocou de par em busca de estabilidade financeira. A ideia da música era a de um blues-rock pra frente e ela ganhou um riff marcante que pegou na hora. Com o tempo foi ficando mais bluesy até a gente chegar na versão que encerra o CD”.

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