A Faixa Por Eles – Guilherme Ventura

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Guilherme Ventura é compositor e multi-instrumentista de Belo Horizonte. Faz parte de sua discografia, Bucadim de Samba, disco gravado em 2007 com a Banda Cirandeiros, e agora o seu primeiro álbum, Dois Lados. Atualmente, o artista faz parte, também, do coletivo IMuNe (Instante da Música Negra).

O álbum de estreia de Guilherme Ventura é a síntese da essência da busca do artista pelo equilibro das ideias. De um lado um disco que se apresenta solar, místico, que finca os pés nas terras ancestrais e carrega o afeto das relações do artista. Do outro, um disco crente nas ações e relações humanas que geram forças que constroem a história, uma faceta noturna, urbana, de ruas carregadas de outdoor e luzes, grafites e coletividade.

Dois Lados é permissivo, que dialoga com o experimentalismo e o POP, tendo como instrumento em uma das faixas um chinelo de dedo que conduz uma das músicas mais regionais do disco. O disco conta com várias participações como os (as) brasileiros (as) Pedro Morais, Johnny Herno, Maíra Baldaia, Nath Rodrigues, Xicas da Silva, a chilena Claudia Manzo e o congolano Yannik Delass.

A faixa que Guilheme Ventura escolheu contar sobre seu nascimento foi ‘Reza’.

 

Pedrada

Esta canção nasceu após eu ler uma reportagem sobre o episódio de uma menina, que ao sair de um terreiro de candomblé, tomou uma pedrada por pertencer àquela religião. Fiquei pensando sobre a prepotência que às vezes temos em afirmar certos caminhos e doutrinar como se houvesse uma verdade absoluta acerca de um tema que estamos tão distantes de alcançar absolutas confirmações.

O universo e suas possibilidades

A música provoca esse olhar sobre as diversidades das crenças. Cada ser é único, e em uma sociedade que pressiona as pessoas para seguir determinada vertente, é preciso sempre se lembrar das palavras ‘diferença’ e ‘respeito’. É preciso se lembrar do infinito que é o universo e suas diversas possibilidades.

A fé do meu avô

‘Reza’ propõe isso, o respeito a fé individual de cada ser, o respeito a escolha do outro, uma vez que essa escolha só diz respeito a cada um. ‘Reza’ celebra a beleza da diversidade da fé, a fé que não fere o outro. Sempre preocupo e busco  nas canções criar uma narrativa sonora, criar um elo entre o som e o sentido, não atoa inicio a canção não falando da minha fé, mas recebendo a benção conforme a fé do meu avô.

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