A Faixa por Eles – Lollipop Chinatown

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Com o lançamento do primeiro disco homônimo, a banda Lollipop Chinatown, que surgiu em 2013, surpreende com o lirismo de suas letras, o abuso de sons eletrônicos e experimentações audiovisuais.

A banda é formada por Pâmilla Vilas Boas (vocais), João Lobo (guitarra), Cláudio Valentin (baixo) e Thiago Carvalho (bateria).

A partir de ‘uma coleção de gêneros sobrepostos que mescla sua identidade brasileira passando pelo noise-pop, neopsicodelia, lo-fi e rock contemporâneo’, a banda lançou, também este ano, o vídeo clipe da música ‘Cérebro Eletrônico’.

Um vídeo que traz questionamentos sobre a cegueira de quem vê, e a lucidez visual de quem não enxerga. Não entendeu? Então, leia a explicação que a vocalista, Pamilla Villas Bôas, nos deu para essa história.

Invisível em meio a tantas informações

Pamilla: O processo de composição da música partiu de um riff marcante criado pelo baixista. A partir dele, eu pensei em uma melodia direta com poucas palavras, e que pudesse transmitir a sensação de ser invisível num mundo de tanta informação. Nesse mundo, mediado pelo digital, ou melhor, pelo cérebro eletrônico, tudo é possível ser dito e tudo é passível de permanecer invisível. Esse cérebro onipresente detém o poder sobre as relações de visibilidades e invisibilidades.

Pedras de Maria da Cruz

Pamilla: Decidimos inserir alguns sons eletrônicos para dialogar com a proposta da música. A ideia era que a guitarra fizesse riffsbem simples para complementar a sonoridade. Nos shows, a gente solta uma voz enigmática de um homem que fala sobre uma mulher chamada Maria da Cruz, fundadora de Pedras de Maria da Cruz, uma pequena cidade à beira do Rio São Francisco. O conceito        era trazer à tona esse feminino que, infelizmente, ainda é algo invisível em nossa sociedade.

Tudo é visto, porém pouco enxergado

Pamilla: A ideia do clipe foi seguiu essa mesma linha de abordar as relações de visibilidades e invisibilidades no mundo digital. Foi por isso que convidamos o humorista, Geraldo Magela, ‘O ceguinho’ para participar das filmagens. No clipe, ele, apesar de cego, é capaz de ver e sentir a performance de uma banda. No início do vídeo, o antigo baterista, que também é cego, dirige um carro. Revertemos a metáfora da cegueira digital para a cegueira real. Seria o cego realmente incapaz de ver? E nós que vemos somos capazes de enxergar o outro? No clipe, eu me contorço representando esse feminino que não tem lugar para se expressar no mundo. As imagens acentuam a proposta de trazer à tona a angústia de se viver num mundo em que tudo é visto e pouco é enxergado de fato.

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