Gabriel Gariba leva sua música para as ruas

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A busca por se destacar e levar o seu som ao maior número de pessoas fez o cantor e compositor Gabriel Gariba espalhar canções pelas ruas. O seu mais recente EP “Sobre Nuvem” foi instalado em vários pontos da cidade de Curitiba. “O disco foi distribuído em cartazes nas ruas, para quem quiser pegar, levar pra casa e ouvir. Mais que um álbum”. Quatros tipos de posters com ilustrações diferentes – criados pelo próprio músico, que também é designer – viam acompanhados de um CD.

O mini álbum traz três faixas com sonoridades diferentes, mas que se conectam quanto a temática e narrativa. Este é o segundo trabalho do paranaense, nascido na pequena cidade de Antonina, que chamou atenção da mídia ao criar o projeto Músicas que Enfeitam Paredes, misturando música e design.

Gariba falou ao Som do Som sobre os seus dois trabalhos, a reação das pessoas ao  encontrarem o disco e a história por trás de cada música.

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O “Músicas que Enfeitam Paredes” foi meio que um prenuncio para o projeto?

Dá pra dizer que sim e não. Eu explico. Bem no começo pensava em fazer uma continuação do projeto apenas inserindo mais algumas músicas, mas amadurecendo melhor e selecionando as faixas que iria gravar. Pensei que poderia fazer algo isolado e com um tema novo, abrangendo o conceito que chamo de “nuvem”.

De onde veio a ideia de espalhar seu trabalho por posters?

É uma ideia que pensei em fazer lá atrás, quando criei o Músicas que Enfeitam Paredes. Mas achei que merecia uma roupagem própria. Nesse caso, se você comparar as duas produções no caso dos posters, por exemplo, eles possuem uma estética mais “suja” , mais “urbana” numa aproximação de colagens de “lambes” que o pessoal faz por aí.  Como falei, acho interessante o conceito de tudo estar na nuvem hoje em dia. Apesar da dificuldade dos músicos de conseguir remuneração com músicas, pois os downloads gratuitos imperam, acredito muito na música livre, em que você pode obter na hora que você quiser. Pensei que as pessoas poderiam achar curioso um artista literalmente deixando o download de seu álbum nas ruas.

Como tem sido a resposta das pessoas? 

O feedback tem sido muito bom. Tenho sentido uma abertura muito legal na internet para material independente. Se você faz algo bem amarrado, ou simplesmente produzido de uma maneira bacana e cai no público certo, você sempre consegue bons feedbacks. Na rua quando colo os cartazes, já vem gente em volta perguntar do que se trata. Há momentos em que mal consigo colocar os cds porque já pegam pra levar e ouvir. Às vezes levam com cartaz e tudo.

Assim como as canções, os posters foram produzidos por você?

As canções eu tive a ajuda do produtor e guitarrista Caio Calderari, quem me ajudou a gravar e arranjar estas novas canções. O material visual é meu. Como meu ganha pão vem muito dos serviços que presto como designer, consigo criar todo o material. Gosto de estar presente em todo o processo, de um lado sei que é muito mais penoso e demorado. Mas, por outro lado, me deixa muito satisfeito e com a sensação de que consigo fazer com as próprias mãos.

“Esse álbum, se for olhado num microscópio, é formado por pequenas imagens sonoras que eu juntei em canção”.

As faixas apesar de apresentarem uma leveza possuem estilos diferentes. A intenção foi mostrar essa versatilidade?

O estilo das faixas são diferentes, mas que tentei construir uma conexão sutil entre elas. Primeiramente pelo tema de cada uma das músicas segue ” Chuva, Fotografar e Sol” . Só aqui temos uma narrativa que deixo de forma poética no site “entre o sol e a chuva, o que é delicado, a nuvem”.

O conceito de álbum foi algo que quis desconstruir. Eu tenho bastante música composta, mas escolhi apenas 3 para fazer uma conexão. Acredito que um álbum não possui um número de faixas específico pra ser chamado de álbum, quis testar isso com o público neste projeto.  A música “Chuva” pra mim é um momento gravado na memória em um dia que observava a água caindo no quintal da casa dos meus pais. Na sala há uma janela enorme de vidro,  e eu observava como ela tremia a cada trovão. Achei aquilo muito bonito, pois parecia uma chuva necessária, algo como se a natureza dissesse “meu dia foi ruim, preciso de um banho pra esfriar a cabeça”.  A faixa “Sol” já  é um convite a sair de casa, observar o que tem de melhor no dia, ao contrário de chuva, ela é mais aberta e menos introspectiva. E no meio  das duas está a faixa “Fotografar”, que surgiu devido a um projeto com uma fotógrafa paulista chamada Graziela Medeiros, no qual trocávamos nossa arte, no meu caso criei essa música. Ela caiu como uma luva, pois entre “sol e chuva” muita coisa acontece e de alguma forma a fotografia ajuda a preservar estes momentos raros e efêmeros. Escutei, certa vez, que a música pode ser tratada como a fotografia sonora de um momento. E de fato é, esse álbum, se for olhado num microscópio, é formado por pequenas imagens sonoras que eu juntei em canção.

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