Jota Quércia prepara seu ano político com lançamento de novo single

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Desde seu nascimento em 2015 e fazendo uso de trocadilhos polêmicos em suas letras e criações visuais, a banda de Belo Horizonte, Jota Quércia lança o single ‘O Evongelho Segundo Dinho Ouro Preto’, música de seu segundo disco, Memes Against the Machine. A faixa, que está disponível para download gratuito, mantém a linha de composição da banda baseada no rock com a guitarra forte e duo de vocal entre os integrantes.

Com letras em tons ácidos às diversas situações sociais brasileiras, o primeiro disco da banda, Nossa Relação é Estritamente Profissional, teve especial destaque para a música ‘Eymael e seus Democratas Cristãos’, que faz uma crítica direta a classe política do nosso país.

Para esse novo trabalho, a banda traz novos posicionamentos e questionamentos sobre a atual postura crítico religiosa. ‘Através de seus olhos e constante indignação contra tudo que há de chato, feio e bobo que ‘O Evongelho Segundo Dinho Ouro Preto’ traz suas palavras para nos livrar dessas coisas horríveis que, convenhamos, foi Deus que criou também’, é o que nos relata a banda sobre seu novo single.

Jota Quércia é formada pela dupla Paulo Ricardo (bateria) e André Persechini (guitarra e voz). E em entrevista bem-humorada, mas que não podia ser diferente com forte doses críticas a própria classe musical, a dupla nos contou um pouco mais sobre o single e novo trabalho.

Com esse primeiro single podemos perceber que a linha ácida e crítica da banda se manterá no novo trabalho. Além do posicionamento em relação a postura religiosa que o Brasil vem seguindo, como percebemos em ‘O Evongelho Segundo Dinho Ouro Preto’, o que ou quem mais será alvo da Jota Quércia?

André: ‘O Evongelho Segundo Dinho Ouro Preto’ é direcionado à postura messiânica que grande parte dos roqueiros e roquistas se portam quando o assunto é protestos contra a corrupção. Na nossa história o que não faltam são exemplos de artistas, ‘intelectuais’, políticos, jornalistas, religiosos e etc que tem o ‘nobre objetivo’ de direcionar a população ao que eles acreditar ser a salvação do país. Não coincidentemente a corrupção tem sido os demônios cujos nobres e justos homens de bem do Brasil se juntam para exorcizar da nação. Talvez a música seja menos uma crítica à religiosidade do brasileiro e mais ao tom reverente que essas pessoas tem em relação a si mesmas quando colocam seus narizes de palhaço, como se fosse um ato revolucionário e julgam a população como idiotas demais para se revoltarem sozinhos.

O disco ‘Memes Against the Machine’ vai vir para cutucar aqueles e aquilo que julgamos serem merecedores do ridículo e, GRAÇAS A DEUS, isso nunca esteve em falta na nossa história. Do politicamente incorreto, passando pelas marchas dos patos e até em um ou dois senadores da república.

Paulo: Agora fiquei um pouco confuso com a confirmação do Pepo (André) que a música é realmente uma crítica. Eu estava aqui esse tempo todo achando que era uma HOMENAGEM. Ainda por cima dizendo que a gente julga alguma coisa. Quem julga é DEUS e juiz 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Nossa obrigação é aceitar e orar. Acho que vamos ter que ter uma conversa séria sobre a nossa relação.

‘Nossa Relação é Estritamente Profissional’ foi lançado em 2016. Estamos em ano de eleição presidencial, esse foi um fator importante para a escolha de lançamento desse novo trabalho?

André: Definitivamente não era nossa ideia lançar o disco neste ano, mas talvez os atrasos tenham vindo para o bem! A eleição deste ano está se mostrando a mais histérica desde 1989, e queremos fazer parte disso, mesmo que não falando diretamente sobre nenhum candidato presidencial. Acreditamos que a sátira política é importante nesses momentos de tristeza que vivemos e o disco vem para, assim como David Luiz queria na semi final da copa de 2014, trazer alegria para esse povo tão sofrido. Só esperamos que, ao contrário do 7 x 1, nossas músicas não traumatizem toda uma geração.

Paulo: ​A verdade é que a data é meramente fruto do acaso e da nossa incapacidade de produzir as coisas em tempo hábil. Talvez por um movimento divino, a coincidência e a coerência com a temática vieram a ser muito pertinentes. Somos realmente abençoados. Parafraseando o ídolo Neymar Jr., ‘Deus é TOP!’.

O disco se baseia nos dois instrumentistas que fazem parte da banda. Quais as dificuldades e facilidades em se criar com apenas dois músicos, no caso, um baterista e um guitarrista? Em algum momento da criação sentem falta do peso de algum outro instrumento?

André: Acho que já vencemos as dificuldades iniciais de se criar músicas e fazer shows nesta formação. Qualquer pessoa que já esteve em uma reunião de trabalho ou tentou marcar algum evento com mais de 2 pessoas sabe que é mais tranquilo resolver questões quando apenas duas vozes estão envolvidas. Marcar ensaios e shows é definitivamente mais fácil e menos estressante, assim como resolver arranjos (ou a falta deles), letras e tudo que envolve o processo criativo. É claro que nem sempre as coisas são tranquilas, mas é pra isso que temos sempre a regra de resolver tudo com duelos de lambada.

As vezes sentimos falta de um terceiro elemento, seja um teclado, baixo, outra guitarra ou vocais, mas como nossas referências em comum são de bandas punk e a proposta da banda sempre foi de simplificar os arranjos acaba que essa vontade de outros elementos desaparece com o tempo… O único terceiro elemento que realmente sentimos falta é de um dançarino profissional para servir de juiz nos duelos de lambada.

Paulo: A parte fácil é que é só tocar que sai. ​A parte difícil é dividir as partes chatas tipo pagar contas, produzir e divulgar as coisas. Às vezes eu fico viajando em algumas harmonias que poderiam se beneficiar de um terceiro instrumento, por outro lado, menos é mais com frequência, e adicionar coisas pode só piorar e estragar tudo. Eu fico vendo uns shows aí que o artista leva uns 20 instrumentistas pra tocar com ele sem necessidade alguma. Só concerto de música clássica precisa disso tudo. Música popular tem que ser simples e objetiva pra dar o recado.

Foto: Stephanie Boaventura

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