Músicos revelam os discos que marcaram sua infância

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Assim como em 2014, em homenagem ao Dia das Crianças convidamos alguns músicos da cena contemporânea de várias regiões – que vem se destacando pelo Brasil e no mundo – para contar e comentar sobre os discos que lembram a sua infância e a influência que essas obras tiveram no trabalho de cada um deles.

Histórias interessantes e engraçadas não faltam. Afinal, quem não tem uma música ou disco que tenha marcado essa fase da vida?

Thiago Pethit

thiago

“Foram muitos os discos que me marcaram. De Michael Jackson até Os Saltimbancos. Mas quando eu era criança, eu tinha mais fascinação pelas capas grandonas dos discos de vinil, do que pelas músicas em si até. E por isso tenho uma historia que me marcou, não só pela graça da mesma, mas por se tratar de dois artistas que eu amo e que me influenciaram muito até hoje. Eu acreditava, a julgar pelas capas de Rita Lee (1979), Rita Lee e Tutti Frutti – O Fruto Proíbido e David Bowie – Diamond Dogs, que a Rita e o Bowie eram a mesma pessoa. E passei quase minha infância inteira acreditando nisso, sem entender direito, (risos). Não deixa de fazer sentido aos olhos de uma criança, e é engraçado pensar nisso hoje em dia”.


Leo Justi

leojusti

“O primeiro disco que eu lembro de ter como meu foi Calango, do Skank, em CD. O single na MTV na época era ‘Te ver’, reggaezinho tipo lovers rock muito cativante. Ouvindo depois o disco todo tive contato com as várias influências jamaicanas fortes desse disco, sem nem saber que eram da música jamaicana. Além da vibe bem regional na faixa (e no clipe foda) de ‘A Cerca’, que plantou um certo orgulho nacional em mim.

Acho muito interessante que esse disco me pegou na minha infância, acho que tinha 9 anos, e era muito despido dos preconceitos que todos vamos somando com o passar dos anos (até que no final da adolescência começamos – se tivermos sorte – a entender que devemos desconstruir). Pensando hoje, fico feliz por esse ter sido meu primeiro disco.”


Anne Jezini

anne

“O disco Spice, das Spice Girls foi quase uma religião pra minha infância. Não foi meu primeiro disco, mas foi o primeiro que eu acompanhei o artista e virei fã. Eu estava começando a aprender inglês, já cantava em coral, fazia dança e todo aquele mundo colorido e dançante delas me fascinava muito, fazia bastante sentido na época. Fora as bandeiras da amizade em primeiro lugar e do #GirlPower que eram muito atrativas para uma menina de 11 anos. Me influenciou muito até hoje, porque foi quando abri os olhos para o Pop, a maneira de cantar do pop, as inflexões e os improvisos que até hoje uso alguns e lembro que aprendi tentando imitar o jeito de cantar de cada uma delas”.


Murilo Sá

murilo

“Durante uma época da minha infância, quase todos os fins de semana eu ia com meus primos pra uma chácara que era do meu tio avô, num vilarejo próximo a Salvador e que tem um nome engraçado: Buraquinho.

O pai dos meus primos era quem nos levava de carro e no caminho ele sempre estava ouvindo rock and roll. Nosso disco preferido nessas viagens era a clássica coletânea vermelha dos Beatles, que abrange os primeiros anos da Beatlemania. A gente sabia de cabeça a ordem exata das músicas, e ficávamos cantando antes delas começarem. Foi o que nos fez querer aprender inglês, para entender o que aqueles caras estavam dizendo e certamente foi a banda que me fez decidir que seria músico de qualquer maneira”.


Aloizio

aloizio

“Minha família veio do circo e por isso música sempre foi uma coisa muito presente. Lembro que todo domingo rolava um grande almoço de família seguido por uma roda de violão, sempre maestrada pelo meu avô. Minha avó sempre o acompanhava cantando e ela continuou cantando duas dessas músicas pelo resto da vida. ”O mundo é um moinho” e “As rosas não falam” ambas do Cartola II, são as músicas que mais me fazem conectar com esse amor familiar e sem dúvida influenciam tudo o que eu faço. Planejo tocar uma versão dessas músicas em um show, vai ser especial”.


Antônio Oticica (Yo Soy Toño/ Dof Láfá)

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“Eu tive três discos muito importantes na minha infância, o do Mamonas Assassinas, que meus pais contam que eu cantava as músicas quando tinha meus dois, três anos. Também o De Volta Ao Planeta, do Jota Quest, que ouvia muito aos seis anos quando morava na França, e o Ventura, dos Los Hermanos aos dez anos, que mudou a minha vida. Esse, o Ventura, seria o meu disco mais importante, pois eu pude ali ter uma banda preferida e me influenciou bastante na forma de composição, senso estético, modo de ver o mundo.

Na minha infância tive contato com bons discos, graças a meus pais, como, além de todos dos Los Hermanos, o Novos Baianos F.C., dos Novos Baianos, discos do Chico, Samba do Paulinho da Viola, rock com Cachorro Grande, entre outros. Conhecer boas músicas e ter uma cultura de discos, entendendo a ordem das músicas, apreciando o encarte foi essencial para minha formação musical e artística e me preparou para futuras etapas da vida onde escolhi por conta própria o que escutar. E sinto que tenho feito boas escolhas”.


Dani Turcheto

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“O disco que eu mais ouvi quando era criança foi o Secos e Molhados, disco de estréia deles. Foi o primeiro disco que ouvi compulsivamente. É um disco misterioso, cheio de nuances, músicas felizes e sombrias. Acho que abriu o meu olhar de criança para o lado escuro e obscuro da vida. Eu não sei se teve algum efeito sobre o meu som… acho que não, pois sou um sambista”!


André Prando

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“Por ser criança, meus pais achavam que deveria gostar de ouvir coisa “pra criança” (o que, hoje, eu acho uma bobagem), então eu tinha uns vinis de historinhas musicadas e os que me marcaram, que foram Os Saltimbancos, TV Colosso e Os grandes sucessos de Raul Seixas (83)… eram discos que me chamavam atenção no meio de tudo aquilo.

Eu não tinha capacidade de entender a filosofia por atrás de Saltimbancos, mas a música era muito boa e bem humorada… com o passar dos anos eu continuei ouvindo com muito carinho e aos pouco fui entendendo melhor a crítica. Ouço até hoje esse disco de ouro! Dá-lhe Chicão… TV Colosso era um programa de TV que eu como criança amava assistir todos os dias… ouvir o disco era uma extensão disso, mas é curioso lembrar que a música que eu mais gostava e me dava curiosidade era a “Malabi sabe”, uma música cheia de indagações misteriosas, filosóficas e místicas, aquilo me intrigava e sempre me intrigou, temáticas que fui cultivando como interesse meu no decorrer da vida. O mesmo acontecia com Os grandes sucessos de Raul Seixas, esse sim era disparado o meu favorito! Eram músicas muito diferentes, um jeito de falar muito diferente, era um maluco muito diferente na capa do disco (isso tudo na minha cabeça de criança) e essas coisas me chamava atenção. Adoraaaava a “Mosca na sopa”… cultivar essas escutas e poder compreendê-las melhor com o passar dos anos foi muito bom! Essas são minhas primeiras memórias musicais, as poucas que guardo com muito carinho e que tenho completa consciência que refletem no músico e na pessoa que sou hoje. Ta aí meu disco “Estranho Sutil”, o que é estranho? Estranho pra quem? É algo muito sutil que diferencia as possíveis respostas… como tenho essas memórias da infância, é sempre muito emocionante quando vejo ou fico sabendo de criancinhas que, por algum motivo, gostam da minha música e ouvem num loop misterioso”.


The Outs

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Tiago Carneiro– “Na verdade, acredito que antes dos 10 anos eu não cheguei a ouvir nenhum álbum inteiro. Mas ouvia muitas músicas de artistas variados, como Zé Ramalho, Elton John, Paul McCartney e, por incrível que pareça, Enya! E pior, o artista que mais marcou foi o último, que minha mãe botava pra tocar sempre que fazia faxina em casa.

Ainda curto Enya, mas acho que não teve uma influência significativa no artista que sou hoje. De qualquer modo, o primeiro álbum inteiro que ouvi, quando tinha mais ou menos 12 anos, teve uma grande influência em mim desde então. Esse foi o Sgt. Peppers!”

Dennis Guedes – “Minhas lembranças mais antigas e marcantes com a música foram dois discos (e VHS!) que eu ouvia bastante na infância: um The Best Of, do Elton John, que ouvia quase todos os dias desde que me lembro como gente, e o Live at Pompeii, do Pink Floyd. Mas a minha noção de álbum só veio um pouco mais tarde, quando ouvi pela primeira vez o Sgt. Peppers e o Revolver, dos Beatles. Com certeza todos eles tiveram forte influência na minha carreira como músico”.

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Vinícius Massolar – “Não lembro de ouvir um álbum específico na infância. Mas, eu ouvia muito o Michael Jackson. Adorava as músicas, os clipes, o filme…tudo! Isso tudo acabou ficando somente nessa época porque fui descobrindo outras coisas e adquirindo outros gostos. Somente na pré adolescência que ouvi realmente um álbum inteiro. Foi o Inédito, do Tom Jobim. Marcou muito porque eu estava aprendendo a tocar piano e conhecer o trabalho do Tom foi mais uma motivação pra continuar o estudo! E claro, trouxe muita coisa para o meu trabalho como artista. Os acordes dissonantes e o jeito como ele toca me influenciam até hoje”!!

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Gabriel Politzer – “O primeiro álbum é difícil lembrar, mas certamente o q me fez começar a gostar de música como músico, foi a coletânea do Nirvana de 2002, intitulado Nirvana. Foi esse que me fez querer tocar bateria e acompanhar as levadas pesadas que curto até hj. Um disco q marcou minha infância foi o do Mamonas Assassinas, que de certa forma me fez prestar atenção na música pela abordagem cômica, já q eu ainda não ligava para arranjos, melodia e etc. Porém foi desde cedo que aprendi, com meus irmãos o valor do bom e velho rock de Led Zeppelin, Black Sabbath, Beatles, que tanto influencia a música que faço hoje em dia”.

Ouça a playlist com as músicas de cada convidado e os artistas citados por eles!!

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