Nightbird Festival: uma celebração ao novo que sempre vem

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No último sábado (5), o Centro Cultural DoSol, em Natal, recebeu a primeira edição do Nightbird Festival, organizado pelo selo independente de mesmo nome, pertencente ao músico e produtor Luan Regio, conhecido por pilotar as guitarras da banda Seu Ninguém, além de seu projeto paralelo Luan Bates, que foi apresentado no festival, onde Luan explora a sua veia de cantor, com canções majoritariamente em inglês.

O selo Nightbird Records surgiu como um selo fantasma, usado apenas para a divulgação dos trabalhos de Luan. Do ano passado pra cá, o selo passou a agregar mais bandas, dando um suporte principalmente no lado administrativo. Com vários lançamentos previstos para o segundo semestre de 2017, o festival foi uma celebração ao bom momento vivido pelo selo, que nada mais é do um reflexo também do grande momento da cena autoral independente do Rio Grande do Norte.

Luan Regio, líder do projeto Luan Bates e idealizador do festival. (Foto: Cátia Lima)

O festival teve em seu line as três bandas que compõe o selo atualmente, que são elas Apolo Zero, Boats e Luan Bates, além das convidadas Heresia e Jack Não Morreu. Todas elas tinham em comum o fato de serem bandas novas que estão em busca de uma profissionalização maior de seus trabalhos. Pra quem gosta de garimpar novas bandas, o festival foi uma ótima opção.

Apolo Zero (Cátia Lima)

Dando início aos trabalhos, a banda Apolo Zero fez as honras de abrir o festival. Com uma mistura de pop rock com forte influências do rockabilly, a banda fez um show bem pra cima que animou quem chegou cedo ao rolé. A banda que possui cerca de 1 ano de existência já mostra ter uma linha musical que promete afinar ainda mais com o tempo. Estamos aguardando o primeiro trabalho da banda.

Boats (Foto: Diogo Ferreira)

Em seguida, foi a vez do Luan apresentar seu projeto Luan Bates, que diferente do início do projeto onde o música se apresentava sozinho ou acompanhado de apenas mais um músico, agora tem com ele uma banda de apoio formada por jovens músicos que já demonstram bastante competência. Foi o show mais pop do festival, com uma linha musical mas madura, até pela experiência do próprio Luan. Vi, ouvi e gostei.

Heresia (Foto: Diogo Ferreira)

Vinda de Pau dos Ferros, interior do Rio Grande do Norte, o trio Boats foi a terceira banda à subir ao palco. Já com alguns anos de caminhada, a banda faz um rock alternativo muito bom e acaba de lançar seu primeiro single “Trilhos” e está em processo de gravação de seu primeiro álbum. Pelo que vi no palco, esse disco promete vir com coisas boas. Vale a pena ficar atento.

Jack Não Morreu (Foto: Cátia Lima)

Quarta banda a tocar na noite, Heresia é um caso curioso. Embora seja a banda mais antiga, existente desde 2011, o show no Nightbird Festival foi o primeiro de sua história. Com uma sonoridade pop/punk, o grupo faz um hardcore que lembra bandas como CPM22 e Blink 182 e lançaram um EP na semana do festival. É perceptível algumas falhas na manutenção do ritmo das músicas, principalmente nas mais hardcores, mas nada que os ensaios e uma sequência de apresentações ao vivo não resolva.

Luan Bates (Foto: Cátia Lima)

Fechando a noite, a banda  Jack Não Morreu é a que traz um som mais trabalhado, com umas passagens mais densas. A banda já existia anteriormente com o nome de Jack Le Jones, mas após um hiato, voltaram com o nome atual. Com uma linha musical bem definida, foi a banda com um som mais “adulto” do rolé. Também vi, ouvi e gostei.

Uma coisa que é preciso destacar foi o bom público que compareceu ao DoSol para apreciar bandas que ainda estão almejando um lugar ao sol. O feedback do público é fundamental para o progresso no trabalho dessas bandas. Festivais com o intuito de apresentar novas bandas em espaços consagrados como o Centro Cultural DoSol são de extrema importância. Mesmo com os contratempos técnicos, normais na cena independente, o Nightbird Festival cumpriu com sua função e deu uma grande contribuição para o fortalecimento e renovação da cena musical independente do Rio Grande do Norte. Que o exemplo seja seguido.

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