Nossos Bailes no Clube da Esquina

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O ano era 1972. O Brasil estaria conhecendo um dos mais importantes movimentos musicais da música popular brasileira, o Clube da Esquina. Um movimento que nasceu despretensiosamente da amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Marilton, Márcio e Salomão Borges, este último, mais tarde viria a ficar conhecido como Lô Borges, e suas reuniões na esquina para cantar e tocar violão.

Existem duas versões para o nome Clube da Esquina. A primeira é que, quando a mãe dos irmãos Borges perguntava pelos filhos, alguém sempre respondia: estão na esquina cantando e tocando violão. A outra é de um determinado dia, quando um amigo ao passar pela esquina que eles costumavam se reunir, resolveu convidá-los para ir a um clube onde os jovens mais abastados frequentavam. Como eles não tinham dinheiro para ir, um deles respondeu: nosso clube é aqui, na esquina.

Milton Nascimento já era conhecido, e foi o próprio quem deu a direção para a gravação do álbum duplo Clube da Esquina, lançado em 1972, pela EMI-ODEON, dando visibilidade a diversos cantores e compositores de Minas Gerais. Acompanhados pela banda-base de Milton Nascimento, formada por Robertinho Silva na bateria,  Wagner Tiso nos arranjos e teclados,  Luíz Alves no baixo, Tavito no violão e Laudir Oliveira percussão, incluindo também Toninho Horta (baixo e guitarras), Rubinho (bateria), Beto Guedes (violão e guitarra), Nelson Angelo e Paulinho Braga (percussões).

O álbum lançado no formado duplo, conta com 21 faixas, compostas em sua maioria por Milton Nascimento, Fernando Brant, Marcio Borges, Ronaldo Bastos e Lô Borges, que na época tinha 19 anos e a quem também foi creditado o disco. Conta ainda com uma música de Monsueto e Ayrton Amorim (Me deixe em paz), que no disco é interpretada por Milton Nascimento e Alaíde Costa, e uma de Carmelo Larrea (Dos Cruces), interpretada por Milton.

O que mais chamou a atenção da crítica especializada da época, foi a riqueza poética e metafórica das letras, e os arranjos muito bem elaborados, com uma fusão de jazz, samba, ritmos regionais, música latina e africana, fazendo com que o “Clube” não se incluísse em nenhuma das vertentes da MPB até então existentes, ma que não impossibilitou a adesão do público, uma prova disso é a quantidade de clássicos que o disco contem, como “Tudo o que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Cravo e Canela”, “Um Girassol da Cor do seu Cabelo”, “Paisagem da Janela” e “Nada Será Como Antes”.

O Clube da Esquina serviu, não apensas para consolidar ainda mais a carreira de Milton Nascimento, mas lançou diversos outros nomes da música mineira como Lô Borges, Beto Guedes, Tavinho e Flávio Venturini, tanto com o grupo 14 Bis, como em carreira solo, e também influenciando outros cantores e bandas, como é o caso do Roupa Nova, que apesar de não ser mineira, nota-se a grande influencia da turma de Minas sobre sua música, tendo o próprio Milton feito uma música em sua homenagem (“Nos Bailes da Vida”).

Mesmo após 44 anos de lançado, o álbum Clube da Esquina permanece atual. Em tempos de ditadura e discursos politizados, o Clube se enveredou pelo caminho da metáfora e da poesia. Numa época em que sonhar era considerado subversivo, Milton e sua turma sonharam, e materializaram seus sonhos em canções. A música brasileira agradece.

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