Os 70 Anos do voo da Asa Branca

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Se você teve uma flauta doce de brinquedo quando era criança, dessas que se compra no mercadinho da esquina, com toda certeza você tocou, ou pelo menos tentou, a Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Uma das músicas mais conhecidas do cancioneiro popular brasileiro e uma das mais executadas em todo o mundo completa 70 anos exatamente hoje, 3 de março.
O encontro inusitado entre o caboclo do sertão e o advogado aconteceu na Avenida Calógeras, no Rio de Janeiro, então capital da República, onde Humberto tinha seu escritório e 10 anos depois, aconteceria outra importante encontro para a música brasileira: o de Vinícius de Morais com Tom Jobim. Dessa parceria, surgiram grandes clássicos da música brasileira como No Meu Pé de Serra e Juazeiro, mas Aza Branca (assim, com “Z” mesmo) foi de longe a de maior impacto.
Inicialmente uma toada, o próprio Gonzaga à regravou em baião 3 anos depois, transformando Asa Branca no Hino do Nordeste, ao retratar de forma poética o êxodo rural do sertanejo, causado pela seca, um problema crônico do Nordeste brasileiro, que foi transformado em projeto político por oligarquias que dominam o sertão até os dias de hoje.
A união entre a melodia alegre, princialmente a sia icônica introdução, com a letra tristes talvez seja a grande receita para o sucesso de Asa Branca. Tendo a Asa Banca como protagonista, uma ave que é capaz de sobreviver os mais cruéis períodos de estiagem, a música traz uma sentença ao pobre sertanejo: se até mesmo a Asa Branca bateu asas do sertão, não lhe resta outra opção a não ser ir embora também.
Em 2009, a revista Rolling Stone classificou Asa Banca como a quarta música brasileira mais importante. O engraçado é que ela veio originalmente no lado B do compacto que trazia em destaque, a esquecida Vou Pra Roça, mostrando que a própria gravadora RCA não tinha nenhuma expectativa para com a música, sendo ridicularizada até mesmo pelos músicos do Regional do Canhoto, que participaram da gravação, chamando ela de “cantiga para cego pedir esmola”.
70 anos depois, Asa Branca é uma das canções mais executadas no mundo, tendo versões nos mais diferentes idiomas, até mesmo em japonês e coreano, emocionado todos que a ouvem, principalmente aqueles que se encontram longe da sua terra de origem, sonhando com o dia em que, talvez, poderão seguir o voo da Asa Banca e voltar para o seu sertão. É muito provável que neste exato momento, alguém esteja cantarolando os versos ou simplesmente a melodia de Asa Banca em algum lugar do mundo.
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