Iniciativas aquecem a produção e consumo musical em Belo Horizonte

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Tantos artistas consagrados da terra das montanhas como Milton Nascimento, Lô Borges, Skank, Pato Fu, Flávio Venturini, Clara Nunes, Vander Lee, Sepultura e outros, quanto novos nomes como Pequena Morte, Young Lights, Amorina, Miêta, Roger Deff, Mai Baldaia, Bia Nogueira e Djambê ilustram bem a continuidade no trabalho autoral e criativo de Belo Horizonte. E, por reconhecer a riqueza desses talentos, é que tem na capital mineira muita gente apaixonada pela 1ª arte, propondo iniciativas de qualidade e muitas vezes colaborativa para dar sequência ao legado da música contemporânea mineira.

Poderia listar aqui inúmeras possibilidades que músicos, jornalistas e produtores têm se desdobrado para criar e ampliar a rede musical local indo desde a produção de mini festivais em estúdios, apresentações intimistas em salas de apartamentos, palco aberto para músicos experientes e novatos até a divisão de palco por artistas com sons semelhantes ou não!

Em plena era de compartilhamento de tudo a distância pela velocidade da internet, os encontros e as trocas de energias presenciais são mais uma das características que sentimos nesses ‘rolês’. A maioria deles ainda é para pequeno público, mas para um público atento ao que está acontecendo na cidade e que valorizam o trabalho autoral.


2ª Mostra MC – Luiza Gaião | Vanilce Peixoto & Lauriza Anastácio (Foto: Flávia Ellen)

Seguindo na linha de iniciativas inspiradoras destaco que em Belo Horizonte há um movimento forte de mulheres artistas e compositoras esquentando a cena com o Mulheres Criando. Idealizado pelas compositoras Bia Nogueira, Amorina, Flávia Ellen e Deh Mussolini, o Mulheres Criando surgiu em 2016 com o objetivo de ampliar a representatividade das mulheres na música, promover a divulgação da composição musical feminina e a redução da desigualdade de gêneros no meio musical.

A Mostra Mulheres Criando está na terceira edição, que começou em março e vai até dezembro de 2017, sempre no Espaço Suricato, em Belo Horizonte. O Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras está na sua segunda edição e acontecerá em setembro.  Já o Sarau Mulheres Criando é um evento mais esporádico e esse ano ele terá um formato em que uma das compositoras convidam outras compositoras para dividirem o palco.  Já há duas datas agendadas, em maio e junho. Os eventos acontecem na Casa Leopoldina, também em BH.

Para a compositora, cantora e produtora, Amorina, ‘os eventos que promovemos no Mulheres Criando contribuem para a formação de um público disposto a conhecer a produção musical contemporânea. Nossas ações movimentam as próprias autoras que além de produzirem mais e cada vez melhor, agora se conhecem e se fortalecem enquanto cena’.


Liquidificador #4 (Foto: Pablo Bernardo)

Um dos movimentos que oferece uma estrutura e dinâmica diferente a quem por ali passa, é o Liquidificador micro-festival de música experimental. Desenvolvido por Lucas Mortimer, músico e agitador cultural, e Gabriel Murilo, produtor cultural, o evento acontece no estúdio do artista desde 2016, quando surgiu inicialmente para abrigar os shows da Confeitaria em Belo Horizonte. De acordo com Lucas, o micro-festival, que está em sua quarta edição, ‘é uma mostra de música aberta a experimentações, improvisos e a interação com outras manifestações artísticas como a poesia, audiovisual e artes visuais’.

A ideia atual do festival é sempre convidar uma banda instrumental de fora da cidade e agregar outras manifestações artísticas a cada edição do evento. Lucas acredita que ‘o cenário musical mineiro está sempre aí, em constante mutação. A gente tem uma grande referência em BH que é o festival Pequenas Sessões. Nosso interesse é dar continuidade a esse trabalho de reconhecimento da música instrumental belorizontina, mas tentando sempre abrir cada vez mais espaço para novas experimentações’.


Carmen Fem n’ Autêntica (Foto: Pedro Morais)

Para muitos artistas autorais independentes, ter a oportunidade de se apresentar em um palco de casa de show na cidade pode ser um pouco difícil. E é com o foco em diminuir essa distância entre o artista e o público, que os sócios Leo Moraes, Bernardo Dias e Sérgio Lopes, abrem espaço n’A Autêntica uma vez por mês para que músicos e bandas possam se apresentar em um palco de médio porte para um público disposto a conhecer novos sons e nomes. A ideia das Sessões Autênticas surgiu a partir da proposta da casa ser o mais aberta e democrática possível.

Segundo Leo Moraes, sócio-proprietário e idealizador do projeto, ‘as Sessões foram uma forma de abrir o palco para literalmente qualquer um. E além de proporcionar uma oportunidade para artistas principiantes se apresentarem em um palco estruturado, o projeto é também um local para artistas experientes testarem músicas e tocarem em um ambiente mais descontraído que um show. O que vem acontecendo também é o encontro de músicos que transitam em meios diferentes, e dificilmente se encontrariam em outra ocasião. Aí a galera do jazz se encontra com a do metal, com a do samba, do indie, e assim por diante’.

Inciativas como essas e tantas outras são cada vez mais importantes e necessárias para o fomento e alimentação do ecossistema musical local. Estamos em um momento de muita criação e produção em Minas Gerais, e diante do novo cenário mercadológico musical, buscar soluções criativas e colaborativas têm parecido cada vez mais o caminho para a sustentabilidade da divulgação e consumo da música.

Foto destaque: Flávio Charchar

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